terça-feira, 25 de julho de 2017

O Brasil precisa virar a página

Uma coisa é certa na realidade brasileira: precisamos virar a página, iniciar um novo capítulo na história do país. Faço parte da geração dos anos 1990, uma geração que traz consigo uma pesada carga de responsabilidade e um gigantesco desafio. Pois, a geração dos anos 90 foi a maior geração de crianças e de adolescentes do país, logo estamos nos tornando a maior geração de adultos e, então, seremos a maior geração de idosos.
A geração da década de noventa marca a inversão da pirâmide populacional do Brasil, e essa mudança etária representa também uma série de mudanças no contexto econômico e social ao longo das décadas. Por exemplo, imagine-se agora em 2050 em um país de idosos, quais deveriam ser as prioridades do governo e da onde sairiam os recursos?
Hoje, somos um país agrário e que depende necessariamente das commodities minerais e agrícolas, a indústria brasileira possui uma participação muito pequena na econômica e o nosso investimento em ciência e tecnologia e pífio. Em 2050, será que teremos como continuar sendo um país com esse perfil econômico? Certamente não. Precisamos buscar alternativas para o Brasil, para além das commodities.
Já vimos que os desafios pela frente são muitos. Mas, onde erramos? Não existe país que se desenvolva sem educação e investimento em ciência e tecnologia. Em cada produto que compramos pagamos também o custo cientifico embutido nele, seja pela técnica aplicada ou pelas patentes embutidas. E o problema é que o Brasil está lá atrás na fila tecnológica.
Além dos recursos para pesquisa, para se fazer ciência e tecnologia, precisamos de educação. Na década de 90 e nos anos 2000, nosso sistema educacional avançou a passos de tartaruga. Se olharmos os indicadores internacionais de educação, vamos ver que hoje continuamos mal posicionados e que essa realidade não mudou muito nas últimas décadas. Sim, os governos que aqui passaram não fizeram o que era necessário e, graças à falta de ação dos governos, hoje temos a maior geração de jovens que o Brasil já viu e que irá ver, com uma formação deficitária. A falta de formação por si só cria o chamado desemprego estrutural, que é quando existe emprego, mas quem está desempregado não possui formação adequada para o posto. Para piorar ainda mais, vivenciamos uma crise econômica e, é lógico, o jovem é um dos que mais sofre na crise por não possuir experiência.

O que fica claro com tudo isso, é que existem diferenças muito grandes entre os discursos políticos que vemos das principais lideranças e presidenciáveis do Brasil e a realidade de nossa nação. A pirotecnia ainda continua sendo o ponto forte no debate político, enquanto realidades, como a exposta acima, ou não é tratada ou é tratada com desdenho. Precisamos virar essa página, precisamos discutir a realidade do Brasil e construir um projeto de nação com educação, ciência, tecnologia, desenvolvimento econômico e social. Temos 30 anos para tentar mudar a realidade do Brasil, caso contrário, teremos um futuro ainda mais trágico que o presente.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Poema sem nome

Rosas florescem
Mas em algum tempo cada pétala se despedaça
Dias amanhecem
E o brilho do dia me laça
Na noite, os sentimentos passados adormecem
Braço que não mais me abraça
No andar da vida corações se estremecem
Quase como uma caça
Meu olho, o teu procura!
Conte-me teus segredos e tudo que se passa
A Rosa se revigora com orvalho da noite mais escura
O coração com o tempo sempre se cura



sexta-feira, 5 de maio de 2017

Laços

Não disfarço, nem desfaço meus nós e laços
Pra que fugir de um abraço?
Meu olhar busca um desvio
Mas não há outro caminho
Sigo como um rio
E todos sentimentos e sentidos contidos podem explodir se você acender o pavio
A escolha é tua
Eu, você e a lua...
No mundo até a terra parar de girar
Eu, você e lua, perdidos nos espaço olhando as estrelas dançar


O estado, o erro da ação policial e a indenização!

Na última semana, diversas reportagens foram publicadas em veículos de comunicação com o título "Justiça condena Estado a pagar R$ 10 mil a suplente de deputado". O fato citado pela imprensa trata-se do julgamento referente à manifestação ocorrida em março de 2013 e o indenizado sou eu.
Relembrando os fatos, realizávamos uma manifestação na luta contra o fechamento de vagas nas Casas de Estudantes Universitários (CEU’s). Essas residências cumprem um importante papel de garantir moradia para estudantes de baixa renda que estão cursando a universidade. Em outros lugares no mundo, a política de moradia estudantil é extremamente consolidada, a exemplo do que acontece em diversos países da Europa. Mas, no Brasil, ainda temos muito que avançar. E, naquela época, considerando o cenário de ampliação da universidade, era inadmissível a redução de vagas nas residências.
Com certeza, terá aquela pessoa que dirá: “Mas para que fazer manifestação, atrapalhar a vida dos outros, tirar o direito de ir e vir?”. Na ocasião, já tínhamos esgotado as tentativas (todas frustradas) de diálogo com a administração superior da UFMT. Cabia sim uma manifestação. E o direito de ir e vir? Precisamos lembrar que sempre que uma via é fechada, existem em geral outras vias alternativas. Desta forma, o direito de ir e vir não é ferido de fato. Se pensarmos que a interdição de uma via é ilegal, não poderia, por exemplo, ocorrer uma corrida de rua ou uma festa popular em via pública.
A manifestação se findou após uma ação truculenta da Polícia Militar. Vários colegas foram agredidos de diversas formas durante a ação policial. Lembro-me como se fosse hoje (e para quem quiser ver há registro em vídeo no YouTube) da fala de um dos policiais que nos agrediu naquele dia, que disse em auto e bom som: "Vai procurar o direito de vocês na justiça!". O erro da ação policial foi assumido por diversas autoridades na época, entre elas o comandante geral da Policia Militar e o próprio governador.
Entre as instituições do Estado - uma delas é a polícia - assim como muitas outras, são formadas por pessoas que podem cometer erros e devem ser responsabilizadas por isso, assim como o bom policial (que cumpre a lei e não que acredita ser a lei) deve ser elogiado. No caso em específico, é triste dizer, mas até onde tenho conhecimento, “tudo acabou em pizza”, como muita coisa no nosso país.
Entrei sim com ação contra o Estado, fiz isso principalmente para comprovar juridicamente que a ação policial estava errada. Ali, manifestando, não estavam como alguns diziam, “um bando de estudantes baderneiros”, mas sim, bons estudantes que sabiam o valor da política de moradia estudantil nas suas vidas e na vida dos que um dia ainda precisariam de tal apoio. Hoje, muitos destes estudantes são excelentes profissionais. Alguns funcionários de grandes empresas, outros funcionários públicos e outros abriram seu próprio negócio.
Tenho certeza, que a política de moradia estudantil contribuiu para que todos se tornassem pessoas que hoje contribuem de inúmeras formas para a sociedade.
Atualmente, sou professor da UFMT, apesar de também ser "o oitavo suplente de deputado federal de uma das coligações" fato que é irrelevante na minha vida, já que nunca exerci a função de deputado e provavelmente não exercerei nessa legislatura. Um suplente e um cidadão comum são a mesma coisa. E para quem não sabe, suplente não recebe nada, ou seja, não tenho nenhum poder político a mais do que você, que hoje lê esse artigo.
Me indigno tanto, como muitos outros brasileiros, ao ver a triste realidade da política nacional. Saí como candidato, em 2014, porque acreditava que podia mudar algo. Mas lutar contra as doações do dinheiro “honesto” das grandes empresas que financiam os deputados não é fácil, afinal, no processo eleitoral, alguns tem milhões, outros nada tem.
O que vimos nas matérias publicadas foi que o fato de eu ser professor ou de o juiz ter reconhecido o erro da ação policial não sensibilizou a imprensa, que em geral optou pelo sensacionalismo do titulo “Justiça condena Estado a pagar R$ 10 mil a suplente de deputado”, mesmo considerando que, na época, eu era estudante de mestrado (ou seja, não era suplente de nada), representante estudantil no Conselho de Moradia da UFMT e presidente da Associação de Pós-Graduandos.
Hoje, escrevo este artigo para dizer duas coisas. A primeira delas é que sim, a polícia estava errada e se você não concorda com o Estado ter pagado uma indenização, deveria primeiro, pensar em cobrar qual a atitude que o Estado tomou em relação aos policiais que, inadvertidamente, usaram de força excessiva para conter uma manifestação pacífica. Segundo, não julgue de forma generalista as manifestações, estas são necessárias para garantir muitos dos nossos direitos, os quais são constantemente negligenciados pelos executores do poder público.

A justiça já provou, através dessa decisão, que a atuação do Estado foi errônea. Agora, e você leitor? Em que você acredita? No Estado que não cumpre o que deve para garantir os seus direitos ou no cidadão que, conforme a “dica” do policial, buscou a garantia dos próprios direitos na justiça?

As olimpíadas de Tóquio e as medalhas de lixo

As olimpíadas do Rio de Janeiro tiveram como temática a questão ambiental, mas é na terra do sol nascente que o exemplo da sustentabilidade está sendo verdadeiramente dado. O Japão pretende usar lixo tecnológico para produção de medalhas. É isso mesmo, medalhas feitas com lixo.
         Pouca gente sabe, mas em um computador ou em um celular existem inúmeros elementos químicos como cádmio, cobre, ferro, potássio, manganês, sódio, níquel, zinco, chumbo, silício, arsênio, cálcio, antimônio, selênio, estanho e também ouro e prata.
No Brasil, devido a uma ausência de política pública, os equipamentos eletrônicos acabam sendo descartados incorretamente, o que impede o aproveitamento dos bens minerais ali existentes. Esse descarte incorreto, além de ser um desperdício de recursos minerais é um risco, visto que vários destes elementos podem ser muito prejudiciais à saúde.
Outra questão que vale apena ser abordada, é que os elementos químicos vêm da mineração e os depósitos minerais no nosso planeta são limitados e tidos como não renováveis. Ou seja, toda vez que jogamos fora de forma incorreta um computador ou um celular, estamos também desperdiçando recursos minerais do nosso planeta.

A lição que a olímpiada de Tóquio nos dará é que é possível atingir novos índices de sustentabilidade, nós precisamos consumir com consciência e descartar os itens consumidos com reponsabilidade. Somente assim, se garantirá que no futuro tenhamos um mundo sustentável onde se existam os insumos necessários para que toda a humanidade tenha qualidade de vida.

sábado, 15 de abril de 2017

Por hoje...

Por hoje, nada tentarei fazer de fantástico
Vivo agora apenas um pouco de monotonia.
Quase estático
Também não viverei nenhuma ousadia

Por hoje, apenas deixo às horas passarem
Neste momento não serei escravo dos afazeres
Não pensarei nas obrigações e nas pessoas com seus “dizeres”

Nessa rotina louca que não nos deixa mais ver o sol se por, a todo instante, a terra gira e o tempo é cravado nas curvas do horizonte!
No rosto o tempo é contado pelas marcas que são capazes de depor
Basta olhar no espelho o próprio semblante
E se enxergar...
E hoje verei apenas serenidade no olhar

E amanha viverei o que o destino me reservar

segunda-feira, 10 de abril de 2017

DESASTRES NATURAIS – QUEM MAIS SOFRE É QUEM TEM MENOS

Neste artigo de opinião abordarei um comparativo didático entre situação de desastres naturais que ocorram no Japão, Chile e no Haiti, além de abordar alguns exemplos relacionados ao estado de Mato Grosso, e a realidade Brasileira. Para começar o debate, coloco uma pergunta provocativa:

Por é tão importante o estado desenvolver políticas corretas de uso e ocupação do solo e políticas de prevenção e mitigação de desastres naturais?

Além de evitar danos econômicos, evitar perdas de vidas, o desenvolvimento de políticas corretas pode auxiliar na proteção e desenvolvimento social, pois quem mais sofre e mais demora a se recuperar de uma situação de calamidade são as pessoas de baixa renda e que mais precisam de amparo do estado.
Em 2010 no Haiti, um terremoto catastrófico de magnitude 7,0 graus na escala Richter abalou o país causando a morte de ao menos 230 mil pessoas, deixando outras 300 mil feridas e mais de 1,5 milhão de haitianos desabrigados. No mesmo ano no Chile, um terremoto de 8.8 graus foi seguido de um tsunami que atingiu o centro e sul do país deixando mais de 500 mortos. Por fim, um terremoto de 9,0 graus de magnitude, também seguido de um tsunami, causou a morte ou desaparecimento de 18.000 pessoas no Japão em 2011. Além das vítimas, o fenômeno causou danos irreversíveis ao sistema de resfriamento de três reatores nucleares localizados na cidade de Fukushima, causando um desastre radioativo.
As três situações envolvem desastres naturais, entretanto a forma como os desastres ocorreram em cada país, e como cada um deles conseguiu reagir à tragédia, depende muito da condição econômica da nação, das medidas realizadas de prevenção a desastre e da capacidade de assistência nos momentos mais críticos.
No Brasil e em Mato Grosso a realidade não é diferente, principalmente quando se trata de inundações e deslizamentos. Devido à ausência de estudos técnicos adequados e em virtude de problemas graves nas políticas de usos e ocupação do solo e de habitação, muitas moradias são construídas em áreas de risco. Na maioria dos casos, são residências de pessoas humildes.

Embora seja comum nos períodos de chuva assistirmos notícias - locais ou nacionais - falando de famílias que perderam tudo em uma chuva ou um deslizamento,  vemos, infelizmente, os desastres naturais levar a construção de uma vida inteira de algumas pessoas definitivamente por água abaixo. Da mesma forma que os países pobres demoram a se recuperar dos desastres, as pessoas de baixa renda também possuem uma dificuldade maior em recuperar o que perderam durante as adversidades da natureza. Por isso, é tão importante o estado fazer seu papel de desenvolver políticas de habitação e de uso e ocupação do solo adequadas e, fundamentalmente, embasada em estudos técnicos.

SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA

No último mês no Estado de Mato Grosso, ao menos 14 Municípios decretaram situação de emergência, sendo eles: Rio Branco, Vale de São Domingos, Chapada dos Guimarães, Confresa, Vila Rica, Santa Terezinha, Cláudia, Água Boa, Pontes e Lacerda, Porto Esperidião, Barra do Bugres, São José do Xingu, Jauru e Campo Novo do Parecis.
A declaração de situação de emergência está relacionada à ocorrência de desastres. Segundo o Glossário da Defesa Civil Nacional, desastre é o “resultado de eventos adversos, naturais ou provocados pelo homem, sobre um ecossistema (vulnerável), causando danos humanos, materiais e/ou ambientais e consequentes prejuízos econômicos e sociais. A intensidade de um desastre depende da interação entre a magnitude do evento adverso e o grau de vulnerabilidade do sistema receptor Afetado”. Os desastres podem ser classificados como desastres naturais ou humanos.
O Brasil é um dos países no mundo mais afetados por desastres naturais relacionados à dinâmica externa do nosso planeta tais como inundações, escorregamentos, vendavais, chuvas intensas entre outros. No caso de Mato Grosso, além dos eventos da dinâmica externa, aqui na terra de Rondon ocorreu em 1955 o maior terremoto registrado no Brasil, de 6,6 graus na escala Richter.
Os desastres naturais estão ligados aos processos e ciclos que envolvem nosso planeta. É fácil para qualquer pessoa compreender ciclos como os dias e as estações do ano. Todavia, a forma como se dará cada uma das estações está relacionada a outros fenômenos maiores, como variações das correntes marinhas (Ex. El Niño e La Nina), ciclos solares entre muitos outros. Estes ciclos influenciam no nosso planeta através das décadas ou séculos, e algumas destas variações são mais complicadas para serem observadas, pois são geracionais, ou seja, você ira presenciar um fenômeno que só ocorrerá novamente quando seu bisneto ou tataraneto tiver a sua idade.
Os impactos dos desastres naturais podem ser amplificados pela atuação do homem, por exemplo, a impermeabilização de terrenos facilita alagamentos. Outras medidas como a ocupação de áreas inapropriadas, podem resultar em grandes perdas materiais e humanas. Por isso é necessários sempre uma política de uso e ocupação do solo que seja construída com base em estudos técnicos adequados.
Os desastres naturais ocorrem e continuarão a ocorrer no nosso planeta, contudo através de medidas adequadas é possível minimizar os danos causados por esses eventos. Toda via, negligenciar a existência dos fenômenos e dos ciclos da natureza pode ampliar o número de vítimas e o impacto dos desastres. Em países como Japão, os governos e a população aprenderam a lidar com as adversidades da natureza tais como terremotos, vulcões e tsunamis.
No nosso Estado, ano após ano, vemos diversos municípios decretarem situação de emergência. A pergunta que cabe ser feita é: Quais a medidas preventivas estão sendo desenvolvidas pelo estado de Mato Grosso para assegurar que o uso e ocupação do solo estão sendo realizado de forma adequada? Será que de fato os governos tem se preocupado em tomar medidas responsáveis relativas a esta temática? Ou será que estão apenas de dedos cruzados esperando com que a natureza se comporte, no ano seguinte, da mesma forma que se comportou no ano anterior?

Para concluir, digo que o estado de Mato Grosso deve tomar algumas medidas importantes. Como o desenvolvimento de uma política correta de uso e ocupação do solo, desenvolver uma orientação adequada para a população em áreas de risco e equipar a defesa civil. Dentro desta última, desenvolver um corpo técnico aos moldes de outros estados, como Rio de Janeiro e São Paulo, pois possuem uma equipe técnica especializada em estudos e medidas preventivas.