quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Geoparque UNESCO e a Rede Global de Geoparques

A Rede Global de Geoparques foi criada em 2004 juntando Geoparques Europeus e Chineses. Desde que foi criada a rede apresente um significativo crescimento seja em número de países ou em número de geoparques.
Em 2005 entraram na rede a Romênia e República Tcheca, 2006 surgiu o primeiro geoparque na América do Sul, na Chapada dos Araripe no Brasil, além da entrada de Portugal e da Noruega. Em 2010 é criado o primeiro geoparque na América do Norte, no Canada. Em 2014 é criado o primeiro geoparque no continente Africano, em Marrocos. A rede conta hoje com 120 Geoparques localizados em 33 países, sendo que a China possui o maior número (33), seguida pela Espanha com 11, Itália com 10, Japão com 8, Reino Unido com 7 e Alemanha com 6.
Além da Rede Global de Geoparques existem hoje outras redes regionais que cumprem um importante papel para fortalecimento dos conceitos relacionados à Geoconservação. No ano 2015 ocorreu um fortalecimento do debate referente ao Geoparques após a criação do programa Internacional Geociências e Geoparques, no dia 17 de novembro, pela Assembleia Geral da UNESCO.
O Programa Internacional Geociências e Geoparques funciona através de duas unidades distintas: Geoparques Mundiais UNESCO composto por um Conselho GMU, um Bureau GMU, uma Equipas de avaliação e um Secretariado; e o Programa Internacional Geociências (IGCP) composto por um Conselho IGCP, um BureauI GCP, um Conselho Científico e um Secretariado. Esse programa foi o resultado de um trabalho de mais dois anos vidando integrar os conceitos já existentes.

Além do programa e da Rede Global é recomendada a criação de comitês nacionais, com representantes da UNESCO, do serviço geológico, da instituição nacional responsável pelas áreas protegidas, de representantes do ministério do turismo, do comitê de Geoparque UNESCO e por representantes do Geoparque Mundial UNESCO.

Para fazer parte da rede o Geoparque deve conter geologia de importância internacional, paisagens vivas e ativas, onde a ciência e comunidade local possam agir de forma mutuamente benéfica, educação em todos os níveis, ligação do patrimônio geológico com os demais valores dos patrimônios natural e cultural. Os geoparques devem desenvolver junto com a comunidade local a consciência desde patrimônio e adotar uma abordagem sustentável para o desenvolvimento regional. A proposta do Geoparque de Chapada dos Guimarães com certeza se enquadra dentro destes aspectos. 

domingo, 25 de setembro de 2016

Fim do mundo

Se o universo estiver desabando
Vou te chamar para perto
Ficar te olhando...
Hoje, e também no fim do mundo já sei o que é certo
Segurar tua mão...
Colocar coração com coração...
Depois de tudo isso, deitar no chão!
Olhar para o céu e ver todas as estrelas caírem!
Quando a luz de todo resto do universo se acabar
A chama do brilho do seu olhar irá me guiar! 

domingo, 18 de setembro de 2016

Poexisto

Poexisto
Crio palavras, crio falas, dou sentido para o que está sem direção
Fatos e atos, amores, paixão
Com poesia existo,
Com versos que persisto
Desisto de desistir,
Deixo fluir
Poetizo na chuva, no sol e no frio
Sobre lagoas, arvores ou sobre um rio
Nas noites claras e também no dia mais sombrio
Persisto em transcrever o viver
Vou hoje, vou amanha, vou sempre poexistir
Vou te contar cada verso que surgir
Se um dia se cansar das palavras rimadas
Te mostrarei a dança dos astros que está sempre perfeitamente inacabada
E em cada movimento existe um verso perdido
Em cada estrela cadente tem um pedido
Enquanto existir o céu a poesia terá sentido 

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Saudades

Saudades...
Tenho do que nunca se passou
Não passou por que mal foi vivido
O tempo que faltou
O momento perdido

Saudades...
Do verão ficaram as lembranças do calor
Dos tombos da vida, firam as cicatrizes e a dor
Dos beijos que ganhei guardo o sabor

Saudades...
De um calor que me aqueceu
Um dia em que o tempo se esquece
Uma memoria para ficar na história
Um momento e toda sua glória


Gravidade

Olhares que se enroscam 
Corpos que se encostam 
Com uma força de atração maior que a gravidade 
Sou puxado para perto de você

Tento resistir e falar alguma coisa com seriedade
E te falo isso de verdade
Mas a força tenta nos convencer
E contra essa vontade não há argumento que se possa tecer
Não existe lei errada na atração
Neste caso, não podemos ser julgado por uma ação
Na verdade já estamos condenados
Quando nos encontramos a força e o destino nos deixam dominados!

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

heresia

Toda poesia é um pouco de heresia
Reinventamo-nos e sonhamos
Recuso o que está posto
Olho o lado oposto
Quero um pouco de negação
Quero ver qual é a reação
Quero sentir o controverso
Quero te contar essa história através dos versos
Na minha fantasia o mundo não é tão real
Na minha cabeça tudo é muito mais legal
Colho palavras para te trazer
Tomo-te e te dou prazer
Toda poesia é uma heresia
Hoje vivo apenas uma fantasia

domingo, 28 de agosto de 2016

Banco

Banco de praça
Banco de areia
Menina com graça
Arvore que sombreia
Banco imobiliário
Banco que fica com seu salário
Juros que consome
Tempo que some
Sem banco sento no chão
Deposito meus sentimentos no coração
Banco que cobra,
Banco vazio cabe eu e você
Avista e sem juros te espero neste banco
Olho para você com meus olhos de um menino quase santo
Quase perdido
Sentado no banco te faço um pedido
Hoje cabe um por do sol e um momento para te ter?

Cabe neste banco um momento para viver? 

domingo, 21 de agosto de 2016

Estado

Tenho estado diferente
Estado de reflexão
Estado de recessão
Cada Estado com sua área
Você não sabe qual o meu estado hoje!
Tenho estado com você
Menos Estado ou mais Estado?
Estado necessário
Eu tive, nos tivemos, tu Estado!
O... Tu Estado!
Estado calado é quase inexistente
Estado pensante é um estado impertinente, talvez até independente
Ontem estava em um estado muito louco!
Ontem estava em um estado solto!
Não estava em um estado qualquer
Que Estado? Era o que eu quiser
Sem fronteiras, sem limites
Amanha darei novos palpites sobre o estado das coisas
Liquido, solido ou gasoso todo estado se transforma!
Todo copo um dia se transborda!
Nas humanas o Estado é de direito
Nas exatas o estado é da matéria
Estado do poeta, poeta sem Estado!
O poeta nunca deixará o Estado calado!


domingo, 14 de agosto de 2016

Nós

Me enrolo
Caio e me esfolo
Me dou ao direito de lutar
Me dou ao direito de sonhar
Luto direito, por direitos e para manter direitos
Nós devemos sempre tentar transformar
Devemos sonhar
Nós não devemos nada
Nós que amarram nossa sociedade, nos prendem e reprime
Nós dois juntos lutando é um ato sublime
Nós que nos deixam aquém
Nós que não somos ninguém
Nós que foram criados por nós, ou por outros que vieram antes de nós
Nós que nos prendem
Nós que nos seguram
Devemos correr? Devemos nos desprender?
Nós somos capazes de mudar, o mundo e a nós mesmo! 
Um e menos que nós, nós somos muitos e não estamos a sós
Nós somos toda a energia que precisa para fazer do amanha o sonho que temos hoje
Nós não temos tamanho
Nós é sempre mais de um
Nós que existem e que devem um dia ser desatados e desamarrados
Cabe e a nós lidar com os nós que existem


sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Luz que se eterniza

Quando vale a pena olhar o passado?
Uma pergunta muitas respostas
Algumas direções quase opostas
Uma luz que me seduz
Uma estrela que brilha
Uma lanterna sem pilha
Uma noite intensa
Um dia que compensa
Um passado distante que ilumina
O hoje que me domina
Parece estranho, mas não é
O passado chegou agora
E daqui a um Segundo já vai ter ido embora
Viajo no espaço e tempo,
Olho a luz que se eterniza
Vejo o brilho dos seus olhos...
Um momento que não se baliza!
No o céu e vejo tudo que já passou e que vale a pena ser observado
Viajo para meu interior, e lá guardo tudo que vale a pena ser lembrado!




segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Descobrir

Acordo...
Ao me descobrir
Crio coragem para levantar e andar para além dos passos de outrora
Vejo os raios de sol que surgem no horizonte
Agora...
Eles me dizem que talvez seja a hora!
Talvez seja agora o momento de descobrir caminho e destinos
Momento de me perder sem rumo como um menino
Não penso em problemas internos
Não crio mais meus próprios infernos
Arriscar, escolher, poder aprender ser um novo ser
Descobrir o que está escondido, encontrar o que está submergido
Entre todos os enigmas perdidos o mais complexo somos nós
Talvez sejamos capazes de nos decifrar a sós.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Incerto

Incerto é o homem que nunca se questiona
Errada é a pessoa que nunca se apaixona
Perdido está quem nunca se emociona
Mas a pior de todas as pessoas
É a pessoa que nunca de dispõem a errar
É uma pessoa que tem medo de tentar
Ela mata tudo ao seu redor e não deixa ninguém sonhar

domingo, 31 de julho de 2016

“Profecias” sobre o fim do mundo e os polos magnéticos da Terra

Na última semana circulou pela internet um boato que o mundo acabaria no dia 29 de Julho devido à inversão do polo magnético da Terra. Como vocês podem ver a data já passou e o mundo não acabou, mas essa é uma oportunidade para falarmos um pouco mais deste fenômeno geológico. Sim a inversão do polo magnético pode acontecer, mas não sei quando isso irá ocorrer de fato. Digo mais, o polo magnético já se inverteu milhares de vezes ao longo da história geológica. E como os geólogos sabem disso?

            Nosso planeta é formado por 12 placas tectônicas principais, estas placas se movimentam lentamente. Quando elas colidem umas com as outras dão origem a imensas cadeias de montanhas como os Andes e os Himalaias esses limites de placas são chamados de convergentes ou destrutivos. Quando estas placas deslizam uma lateralmente em relação à outra temos um tipo de limite de placa chamado de transformante ou conservativo. Já quando estas placas estão se afastando umas das outras, no meio do oceano ocorre processos vulcânicos que possibilitam que estas placas cresçam permitindo a abertura do oceano, este limite de placa é conhecido como limite divergente ou construtivo. O continente Africano e a América do Sul, por exemplo, se afastam ano a ano um da outro e essa separação se iniciou a mais 120 milhões de anos. Mas por que estou dizendo isso?
            Estas rochas que são formadas com a expansão do assoalho oceânico possuem minerais magnéticos que quando se cristalizam se orientam conforme o polo magnético da Terra. Desta forma, ao se analisar as rochas que formam o fundo dos oceanos, os geólogos notaram que a inversão do campo magnético já ocorreu na Terra muitas vezes e por isso, podemos dizer com certeza que essa inversão irá ocorrer novamente.
              Bom à vida existe na Terra a mais de 3,5 Bilhões de anos e nenhuma destas inversões do polo magnético causou o apocalipse. O homem nunca presenciou a inversão do polo magnético, sabemos apenas que os polos estão hoje enfraquecendo e que uma hora irão se inverter. Mas com certeza essa inversão não causará o fim do nosso planeta. Então avisem os coleguinhas, precisamos achar um novo motivo para o fim do mundo, talvez seja mais legal voltar a pensar no apocalipse zumbi, na queda de um meteorito gigante ou quem sabe em uma invasão alienígena! Isso se nós humanos, não tratarmos de destruir nosso próprio planeta sozinho. 


sexta-feira, 29 de julho de 2016

O Geoturismo e as diferenças entre Geoparques e área protegida.

Para se compreender a diferença entre Geoparques e área protegida é preciso uma breve apresentação de alguns conceitos como o de Geoturismo, esta vertente do turismo de natureza destaca o valor dos objetos e dos processos geológicos que garantem aos turistas uma cultura científica, em especial a compreensão do relevo, das rochas, dos fósseis e de outros elementos da geodiversidade, para além da mera apreciação estética e de outros valores culturais e naturais.
Morro dos Três Portões, Assentamento de Jangada Roncador 

Esta modalidade de turismo está estritamente ligada ao desenvolvimento local, ou seja, as comunidades situadas na região. Por outro lado o geoturismo tem como premissa a conservação dos geossítios e também o desenvolvimento da cultura científica em todos os níveis educacionais tanto para os turistas como para os moradores locais.
No geoturismo podem-se apreciar elementos como a paisagens e as geoformas, recursos geológicos, fósseis, rochas, minerais e solos. Para que isso ocorra é necessário utilizar uma linguagem adequada e acessível ao público, enfatizar a relação da geodiversidade com a biodiversidade e sociedade.
Em geral é praticado em territórios onde se destaca o património geológico, essencialmente aquele que revela valor estético ou forte ligação com a sociedade, com a história e com a biodiversidade.
O desenvolvimento do geoturismo esta relacionada à inventariação do programa de geoturismo, a classificação e motorização, além de também relacionar estes fatores com outros valores ecológicos, etnográficos, arqueológicos e históricos. Associados a uma valorização da geodiversidade e do patrimônio através de publicações, websites, mesas e outros meios de interpretação, desenvolvimento de percursos e formação de guias especializados.
Os projetos de geoturismo podem estar relacionados à visitação de áreas protegidas, mas podem ser desenvolvidos em outras áreas com patrimônio geológico que constitui a base para a atração de turistas. Em projetos de parques temáticos, por exemplo, mas podem ser também em uma área qualquer.
O geoturismo em geral está associado à geoparques, estes por sua vez são constituídos por três pilares fundamentais: Geoconservação, Educação e Geoturismo. Os geoparques são territórios com fronteiras definidas, para qual existe um plano de desenvolvimento dirigido para a população local, sustentado na conservação, promoção, valorização e uso desse patrimônio, bem como de outros valores naturais, culturais e recreativos.

Uma área protegida pode estar relacionada a um geoparque, contudo, os dois conceitos possuem naturezas diferentes, visto que conforme citado acima os geoparque possuem como um dos seus pilares fundamentais o envolvimento com a população local, associando os valores da geoconservação com o dia a dia das pessoas e com os produtos turísticos regionais. Enquanto as áreas de proteção possuem uma relação maior com a natureza biótica, ou seja, com a preservação da biodiversidade, os geoparques possuem um enfoque para a natureza abiótica, mais especificamente com a preservação da geodiversidade. Cabe ressaltar que existe uma intima ligação entre a biodiversidade de uma região e a geodiversidade deste mesmo local. Toda via, a forma de se gerir a um geoparque e uma área protegida é distinta e a sua própria função é diferente, mas em muitos casos áreas protegidas fazem parte também de geoparques.  A proposta do Geoparque de Chapada dos Guimarães pode trazer um grande diferencial para o turismo da região, fomentado o turismo rural e o geoturismo. 

segunda-feira, 25 de julho de 2016

FONTE

Tenho sede de algo que nem sei o que de fato seja
Como nas histórias encantadas busco uma fonte especial
Quero aquela água que dê tudo que a gente deseja
Sei que isso pode ser irreal
Mas ao mesmo tempo a busca pela fonte é algo totalmente normal
Cada gota de água já voou pelo céu, se condensou no frio e correu em um rio.
Toda gota de água já fez algo no mundo mudar
Carregou rochas, e também fez a química acontecer...
Fez minerais surgirem e outros desaparecer
Cada palavra é como uma gota de água,
Com sua fonte em caixa alta, fonte pequena ou fonte exagerada, cada palavra esta ali desenhada!
Cada gota de água pode percorrer todo o mundo
Cada palavra pode mudar o mundo
Fonte de água, fontes de palavras.
Meu corpo e seu corpo, formado de água e poesia.
Será que eles vão se encontrar um dia?

terça-feira, 19 de julho de 2016

Chama

Fogo que queima
Coração que se derrete
Peito que teima
Sentimento que amolece
Chama que surge... me chama que eu vou!
Acender uma paixão no tempo de um refrão
Quero te ver voar como um anjo
Quero te ver ascender em bons sentimentos
Com a energia do sol, que ilumina a lua
Quero ficar dia e noite escutando cada palavra tua
Também quero te ver em minha cama toda nua
Chama que derrete, chama que esquenta
Voz que sura... e me chama!
Coração que sonha, coração que declama, alma que ama!

Geoparque de Chapada dos Guimarães, quais os impactos desta proposta?

Desde o inicio do mês de Abril, está em discussão a criação do Geoparque de Chapada dos Guimarães. Mas o que é um Geoparque?
Um geoparque é um projeto de desenvolvimento local e sua construção está diretamente relacionada com os habitantes que residem no território em questão. Os impactos dos geoparques estão relacionados aos seus três pilares básicos que são: Geoconservação, Educação e Geoturismo.
        Durante o processo de criação do Geoparque é realizado o levantamento de diversos serviços e atrativos existentes na região. Essas informações são depois amplamente divulgadas juntamente com os atrativos existentes, estas informações então são relacionadas com o patrimônio geológico ou com outros valores existentes na região.


       A ampliação do número de turistas trás um impacto direto na economia local em diversos segmentos como hotelaria, setor de alimentação, artesãos, setor de serviços entre outros. Com isso, o território passa a ter como motor de desenvolvimento atividades relacionadas com o geoturismo. Os geoparques são excelentes oportunidades para empresas locais. Tal fluxo de crescimento representa uma maior geração de oportunidades e também uma melhoria da qualidade de vida da população que ali reside.
Os benéficos educacionais são diversos, pois a ampliação do conhecimento sobre o nosso planeta pode significar uma mudança profunda na forma de ver o mundo e o meio em que vivemos. Os geoparques são oportunidades para escolas e universidades trabalharem os temas relacionados ao meio físico com seus estudantes.
Fragmentos de fósseis de dinossauros encontrados em Chapada dos Guimarães. 

Para a comunidade local a compreensão sobre a geologia ali existente pode significar também uma ampliação do valor que os próprios moradores dão ao seu território, visto que ao observar e tomar conhecimento sobre o quanto é especial àquele local em que eles vivem, deste dia em diante o próprio olhar sob sua localidade de cada um dos residentes será diferente.
Outro aspecto que os geoparques permitem e o desenvolvimento de atividades rentáveis em áreas rurais através do turismo. Em alguns países como o Brasil isso pode ter uma função muito importante, visto que nas ultimas décadas o êxodo rural é um dos grandes problemas sociais existentes. Sendo assim, os geoparques são uma incrível oportunidade de se integrar os aspectos culturais e o dia a dia das pessoas que vivem no campo valorizando essas informações, gerando renda, oportunidades e incentivando elas não migrarem para grandes centros.
Geoparques por tanto, são um modelo existente em vários lugares do mundo que associa preservação com desenvolvimento social e ganhos educacionais, certamente é um modelo que podemos replicar com sucesso também no Município de Chapada dos Guimarães.


terça-feira, 12 de julho de 2016

O que são Geoparques

Antes de tudo é preciso explicar para o leitor qual o conceito de Geoparque e quais os impactos desta iniciativa. Um geoparque é um projeto de desenvolvimento local e sua construção está diretamente relacionada com os habitantes que residem no território em questão. Os impactos dos geoparques estão relacionados aos seus três pilares básicos que são: Geoconservação, Educação e Geoturismo. Portanto, o modelo de Geoparques são muito diferentes dos modelos tradicionais de unidades de conservação.

Vista do Fecho do Morro.

Os geoparques estão ligados à preservação da geodiversidade, ou seja, com a natureza abiótica do nosso planeta, mais especificamente aos elementos geológicos de uma determinada área tais como as rochas, minerais e fósseis, e com a interação destes elementos geológicos com os sistemas clima tendo como resultado elementos geomorfológicos (formas de relevo, topografia e processos físicos), pedológicos (formação de solo) e hidrológicos.
Os elementos da geodiversidade podem possuir diversos tipos de valores sendo eles: 1) Intrínseco: considera-se que a geodiversidade por si só é importante; 2) Econômico: está relacionado à utilização da geodiversidade para o bem estar do homem; 3) Cientifico: relacionado à raridade ou representatividade de um determinado elemento; 4) Educativo: locais onde se podem explicar informações e processos geológicos com facilidade; 5) Cultural: relacionado com elementos geológicos que integram a cultura local; 6) Estético: em geral é associado com elementos hidrológicos e geomorfológicos; 7) Funcional: tem relação com a utilização da geodiversidade para o homem a exemplo de uma hidroelétrica.
Nos casos que a geodiversidade possui um valor científico, seja ele in-situ (neste caso chama-se Geossítios) ou ex-situ (exemplo de coleções museológicas), dar-se o nome de patrimônio geológico. Quando a geodiversidade está relacionada a outros valores que não o científico, dar-se o nome de elementos de geodiversidade (ex-situ) ou os sítios de geodiversidade (in-situ). A seguir será destacado o que são estes elementos in-situ:
Os geossítios são ocorrências de um ou mais elementos da geodiversidade que afloram devido a processos naturais ou em virtude da intervenção do homem, delimitado geograficamente e com um excepcional valor científico. Estes sítios podem ser: paleontológicos, mineralógicos, petrológicos, estratigráficos, tectônicos ou geomofológicos. Os geossítios são considerados um tipo de recurso natural não renovável que podem ser utilizados de forma sustentável pela sociedade seja para auxiliar no processo educativo, desenvolvimento de pesquisa, ou uso para o turístico. Para se utilizar os sítios geológicos é preciso uma gestão adequada que possibilite o seu uso sustentável.
Já os Sítios de geodiversidade são ocorrência de um ou mais elementos da geodiversidade, bem delimitado geograficamente e com um excepcional valor (pode ser de diversos tipos, exceto o científico).

O geoparque por tanto, é um caminho para o desenvolvimento do Geoturismo e para criação de alternativas de geração de renda associadas com a preservação das riquezas que existem no nosso planeta. Neste aspecto, o Geoparque de Chapada dos Guimarães certamente poderá cumprir um importante papel. 

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Manga

Manga com leite diz que faz mal
Eu quero é manga com sal
Manga da blusa que aquece
Manga na salada
Suco de manga ou limonada? 
Se algo está difícil de dar certo
Eu vou dizer como diz a gente que mora aqui por perto
TCHUPA ESSA MANGA!
Manga que te protege do frio e do sol...
Tem dia que está quente, e ai? A manga, esquece!
Melhor ficar despido!
Tem dia que não quero nada com nada, e ai melhor dar um perdido!

Tem dias em que estou um pouco louco, e para você dou direito a um pedido! 

quarta-feira, 6 de julho de 2016

GEOPARQUE DE CHAPADA DOS GUIMARÃES

“Uma oportunidade de viajar no tempo e na história”

Localizado no centro da América do Sul o Município de Chapada dos Guimarães possui um território com uma geologia rica conhecida desde o século XIX. Mas, além da geologia, a história, a arqueologia, a biodiversidade local e a riqueza cultural chamam atenção de quem por ali passa.
        A colonização do município iniciou logo com a chegada dos primeiros bandeirantes a região durante o século XVIII.  Durante esta época o território que hoje é o município cumpria um importante papel de abastecer com alimentos as minas de Ouro de Cuiabá. Desta época ficaram preservadas a Igreja Barroca de Sant’Ana e também diversa ruínas dos engenhos de cana de açúcar que existiam nas então sesmarias concedidas pela Coroa Portuguesa.
Além deste importante patrimônio histórico, nesta região existem diversos sítios pré-históricos com pinturas rupestres que remontam aos primeiros homens que aqui chegaram. Um dos sítios de maior destaque é a Lapa do Frei Canuto, com mais de 50 metros de pinturas rupestre.
A construção de um Geoparque no município de Chapada dos Guimarães com certeza é uma alternativa para o desenvolvimento local, permitindo gerar renda e preservar o meio ambiente. Vamos falar um pouco agora sobre a geologia de Chapada dos Guimarães.
O patrimônio geológico de Chapada dos Guimarães e região permite realizar uma viagem desde o Neoproterozóico até o Terciário, observando diversos tipos rochas metamórficas, sedimentares e ígneas. As unidades geológicas mais antigas da região estão relacionadas ao Ciclo Transbrasiliano que deu origem ao Supercontinente Gondwana, estas rochas são conhecidas na literatura como Grupo Cuiabá, constituído por filitos, metadiamictitos, metarenitos, quartzitos e mármores que foram depositados em um ambiente marinho e posteriormente dobrados e metamorfisados dando origem a uma imensa cadeia de montanhas. Associado a esse processo ocorreu a cerca de 503 milhões de anos a intrusão do Granito de São Vicente.
Em Chapada estão preservadas as rochas depositadas durante duas incursões marinhas (entrada do mar sobre o continente) que ocorreram durante o Paleozoico, à primeira delas tem como registro as rochas do Grupo Rio Ivaí de idade Neo-Ordoviciana, é constituído pelas formações Alto Garças e Vila Maria. A diferença de resistência das rochas associada à erosão através do fenômeno de erosão por piping possibilitou formar um conjunto de cavernas, dentre elas a Carvena Aroe Jari, maior caverna de arenito do Brasil.
A segunda incursão marinha ocorreu durante o siluriado-devoniano, onde foram depositados os arenitos da Formação Furnas e os folhelhos fossiliferros da Formação Ponta Grossa. Nesta última unidade são encontrados fósseis de trilobitas, tentaculites, braquiópodes (Conchinhas) entre vários outros animais marinhos.
Durante o Mesozóico um imenso deserto se sobrepôs as formações geológicas existentes nessa região. Esse deserto deu origem a Formação Botucatu, Constituída por arenitos médios bem selecionados com estratificações cruzadas tangenciais de grande porte, hoje estas rochas constituem um importante aquífero.
No período Cretáceo ainda associado aos últimos esforços de quebra do Supercontinente Gondwana, um sistema de Grábens e Horst se formou na região depositando uma sequência Vulcano-sedimentar que se iniciou com o magmatismo basáltico da Formação Paredão Grande seguido pela deposição em um sistema de leques aluviais das formações Quilombinho, Cachoeira do Bom Jardim e Cambambe. Nestas unidades já foram descritos diversos fósseis de Dinossauros entre eles o  Pycnonemosaurus Nevesi  identificado a partir dos fósseis coletados na região.

Réplica do Pycnonemosaurus Nevesi exposta no Museu de Pré-História Casa Dom Aquino

A última unidade geológica é a Formação Cachoeirinha constituída de conglomerados diamantíferos. Essa unidade está associada à história de diversas comunidades locais que se formaram devido à atividade garimpeira.
A erosão das unidades citadas da origem a diversos geomorfossítios que possuem uma beleza cênica sem igual. Destacando-se diversos mirantes, rios e cachoeiras. No município existe ainda um parque nacional criado para preservar a biodiversidade do cerrado Brasileiro, neste bioma existe uma grande diversidade de fauna e flora.
Relacionando todos os valores citados torna-se possível a criação de um geoparque que envolva a população local, preserve o meio ambiente e o patrimônio geológico e auxilie na construção de um modelo de desenvolvimento sustentável para o município. Após debate realizado em Audiência Pública requisita pelo deputado Wilson Santos, o primeiro passo para a criação do Geoparque foi dado no dia 17 de junho com a criação de um comitê para instrumentalizar as ações necessárias para desenvolvimento desta iniciativa.