quinta-feira, 2 de junho de 2016

DEBATER GEOLOGIA É PRECISO


Nesta semana que se passou na segunda-feira dia 30 de Maio se comemorou o dia dos geólogos, profissão que se dedica a estudar as rochas para compreender a história do nosso planeta.
A utilização dos bens minerais pelo homem se confunde com a própria história da humanidade, as idades que marcaram a evolução humana estão diretamente relacionadas à capacidade de se criar novas técnicas e utilidades para as rochas e minerais existentes no planeta Terra.
Hoje tudo que está ao nosso redor tem um pouco do trabalho do geólogo nele, desde o computador, celular ou tablete em que o leitor está usando agora, até as paredes da casa, as ruas, carros e até mesmo remédios e alimentos utilizam rochas para sua fabricação.
            Desta forma pode-se dizer que compreender a geologia e os bens minerais é importante para que o homem consiga conviver bem com o meio ambiente e com as limitações do nosso planeta, estudar e aplicar a geologia no dia a dia é fundamental para um futuro sustentável.
            Compreender a importância da geologia é fundamental para que os gestores e a própria sociedade como um todo tome decisões conscientes e tecnicamente embasadas, contudo, o que se é observado é que por muitas vezes o estudo técnico é deixado de lado, um belo exemplo disso é a política estadual de geologia e recursos minerais que é prevista na Constituição Estadual de 1989 nos artigos 297 a 299 a mais de 25 anos e até hoje nunca foi implementada. Esta política é fundamental para que o estado cresça de forma sustentável realizando um uso e ocupação do solo de forma correta, preservando aquíferos e explorando os bens minerais da melhor forma possível.
            Nesta sexta-feira dia 3/6 ás 14 horas esse assunto será abordo em uma audiência pública que será realizada na Assembleia Legislativa através de solicitação do Dep. Wilson Santos. Será uma oportunidade de toda a sociedade poder debater geologia e todos seus aspectos.
            A atividade faz parte da comemoração do dia dos Geólogos organizado pela Associação dos Geólogos do Estado de Mato Grosso (AGEMAT), o Sindicato dos Geólogos de Mato Grosso (SINGEMAT) e a Associação de Geólogos de Cuiabá (GEOCLUBE).
            Além da audiência ocorrerá ainda as oito da manha uma palestra do com a temática Situação Atual do controle de barragens de mineração no Brasil, ministrada pelo Geólogo Walter Lins Arcoverde, Diretor de Fiscalização da Atividade Minerária do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).

            Precisamos debater e construir políticas sempre embasadas pelo conhecimento técnico, mas sempre envolvendo a sociedade no debate de forma a considerar todos os aspectos sociais e ambientais. Venha comemorar o dia do Geólogo conosco e participar deste importante debate.  

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Versos teus

Os planos nunca pensados
Os passos nunca executados
Os versos que nunca foram escritos
Os sentimentos que nunca foram descritos
As paixões que tomam a alma
As belezas que nos trazem a calma
Os sentidos são meus
Os versos são seus
E o tempo e nosso!  

descrever

Olho as rochas, vejo passado.
A geologia me conta o que foi retrabalhado
Cada grão tem sua história
Até as rochas possuem memorias
O seixo que rolou, a água que passou, o vento que soprou
Tudo deixa um sinal
Leio as rochas, vejo o tempo.
Em um segundo, olho o conjunto.
Aquele grão não está sozinho
A rocha cimentou
Um litoarenito se formou
Amanha vou descrever e vou contar

Vou dizer todos os segredos que aquela rocha quer me falar 

Não fuja do tempo

Não fuja do tempo
Menina que dança
Que brinca com vento
Dou-te um beijo
Aguço-te desejos
Em cada olhar um novo pensar
Não fuja do tempo
Menina que me fascina
Brinca comigo aproveite o momento
Vamos viver essa sina
Não fuja do tempo

Só deixe eu e você voar com o vento

O poeta sonhador

O poeta sonhador
Fala com a alma
Fala de amor
O poeta sonhador
Retrata sentimentos
Fala de dor
O poeta sonhador
Despedaça um coração
Fala de paixão
O poeta sonhador
É forte feito aço
Mas se derrete nos seus braços
O poeta sonhador
É doce ou amargo
Descreve com palavra todos os tipos de sabor
O poeta sonhador
Imagina uma musa

Colhe palavras apenas às usa 

domingo, 15 de maio de 2016

Uma noite

Hoje ele levantou sem se importar muito com o rumo que deve seguir. Abriu os olhos e viu o dia passar, vendo a vida como um espectador, assistindo sua própria rotina. Passa o dia, chega o crepúsculo, chega à noite... À noite vem cheia de suspense, ele chega a sua casa, abre a geladeira, abre a garrafa de cachaça e bebe uma dose, toma um banho, toma coragem, mesmo meio sem rumo toma um rumo. À noite o mundo é diferente, as pessoas saem em busca de coisas que o dia esconde, buscam sentidos, buscam testar seus sentidos. Ele sai pela rua, anda pelas estradas entra em bar, se senta em uma mesa qualquer e pede uma bebida e deixa a musica tocar seu corpo, era dia de rock! Ele olha para o lado, vê aquele corpo em movimento, se locomovendo conforme as notas musicais, um pouco anjo outro pouco nem tanto, com apenas um olhar ela o sugou para dentro de seu mundo, em segundos ele se levanta e vá a acompanhar em sua próxima dança. A noite estava apenas começando! Uma mãos toca a outra, escorrega para a cintura, a boca se aproxima do ouvido e sussurra forma intensa algumas palavras... Ele diz “de onde estava, senti uma sintonia no nosso olhar, senti que hoje meu corpo quer o seu e seu corpo quer o meu”. Ao terminar ele beija o pescoço dela meio que mordendo ao mesmo tempo, ela se deixa levar, diz que nesta noite só quer viver, não quer pensar. A noite passa os corpos se entrelaçam no salão, a vontade de uma ter o outro só aumenta a cada toque, a cada passo. Ele a chama para ir, ir embora para qualquer outro lugar... ao deixar o bar eles começam a andar pela rua, ele pensa em se conter mais a joga no muro ali mesmo, a segura com força, toma o seu corpo, a beija como se aquele fosse o primeiro e ultimo beijo, morde o lábio inferior, suas mãos deslizam por todo o corpo da menina, ela traduz o momento em sussurros e gemidos! Vamos... aqui não é lugar te quero em mim, te quero já. A porta do apartamento se abre e nem mesmo da tempo de a tranca-lá. Um corpo se prende ao outro as mãos deslizam pelo corpo, o desejo toma conta... ele beija desde sua boca, sua orelha, seu pescoço, desce por cada pedaço de corpo, chega aos seios, morde carinhosamente os mamilos, ela geme, ele pega com forço em sua cintura e desluza sua mão até a bunda. Ele a joga no sofá ela se deixa dominar nem se quer da tempo de tirar as roupa e os sexos já se encontram e começa de uma forma intensa, cada segundo um gemido, cada segundo um pedido de quero mais, entre puxões de cabelo, mordidas em arranhões, os dois se sentiram tanto em êxtase ao ponto de perderem a noção do tempo mesmo da intensidade do momento, as horas correram, para onde ninguém nem sabe. Um beijo um tchau, um dia, nenhum nome, nada do depois, nada do amanha e assim essa noite será lembrada. 

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Risca o céu

Risca o céu...
Passa voando
Eu risco papel...
E fico te olhado
Fecho os olhos e faço desejos
Seguro sua mão, te puxo e te beijo
Cada estrela que pelo céu passar
Faz aumentar o brilho do teu olhar
Amanha estrelas cairão
Amanha o céu estará em festa
Amanha e sempre você estará no meu coração

segunda-feira, 7 de março de 2016

Dinossauros de Mato Grosso

Alguns leitores ao ler o título devem ter pensando que eu abordaria neste artigo sobre nossos dinossauros da política, mas não. Vamos falar dos legítimos dinossauros do nosso Estado, aqueles que viveram há mais de 65 milhões em uma era geológica chamada de Era Mesozoica. Falarei mais especificamente neste artigo sobre acontecimentos que ocorreram entre 84 e 65 milhões de anos atrás.

Mas como era terra neste tempo?

Há 84 milhões de anos, em Mato Grosso, existiam, por exemplo, vulcões ativos nos municípios de Chapada dos Guimarães e Poxoréo. Neste tempo o Pantanal não existia e a Cordilheira dos Andes estava apenas começando a se formar. O supercontinente Pangeia estava se fragmentando, a África e a América do Sul estavam começando a se afastar e o Oceano Atlântico tinha apenas algumas dezenas ou centenas de quilômetros. Pelos fatos citados acima, é possível ver que naquela época nosso planeta era muito diferente.  

Reconstituição paleogeográfica do Período Cretáceo (Fonte: http://www.avph.com.br/cretaceo.htm)  


As rochas sedimentares que se formaram neste período guardam dentro delas diversos fósseis dos famosos dinossauros, um desses por sinal foi descrito com base em fósseis encontrados no Município de Chapada dos Guimarães, o nome deste animal é Pycnonemosaurus Nevesi, este podemos dizer que é um legitimo dinossauro Mato-grossense, que foi descoberto e descrito pelo paleontólogo Alexander Kellner do Museu Nacional do Rio de Janeiro. A paleontologia - para quem não sabe - é a ciência que estuda os animais do passado, enquanto a geologia estuda a história do nosso planeta através das rochas existentes.

Esse era o Pycnonemosaurus Nevesi (Fonte: http://www.latec.ufrj.br/dinosvirtuais/catalogo/pycnonemosaurus_nevesi.html)

Os fósseis de dinossauros de Mato Grosso se encontram em acervos em diversas instituições pelo mundo. Mas para quem quiser conhecer um pouco mais sobre esses animais que já viveram em Mato Grosso, não precisam ir longe. Aqui mesmo, na nossa capital, existe uma réplica do Pycnonemosaurus Nevesi de 2,20 metros de altura e 7 metros de comprimento que pode ser vista no Museu de Pré-História Casa Dom Aquino. No museu, além desta réplica, o público pode observar outros fósseis de dinossauros além de diversos outros animais já extintos que viveram aqui na Terra em outros tempos que foram descobertos pela equipe do Instituto Ecossistemas e Populações Tradicionais. Então se você tem dúvidas sobre a existência destes animais do passado ou se apenas quer conhecer um pouco mais sobre eles, vá lá e olhe com seus próprios olhos. Conheça os legítimos dinossauros de Mato Grosso. 

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Os jovens e os espaços de decisões

Independente da posição política de cada um, me alegra muito ver que nos últimos anos os assuntos referentes a política nacional estão cada vez mais presente nas conversas entre jovens. O problema é que muitos jovens não acreditam que seja possível mudar a política brasileira. Isso é um sério problema!
No geral a geração que está no poder no Brasil é a mesma que participou do processo de redemocratização do país. E isso não é só nas prefeituras, nas câmaras de vereadores, nas assembleias legislativas e no congresso nacional, esse aparelhamento também ocorre em diversas outras instituições que existem em nossa democracia. O pior é que isso parece que não vai mudar tão cedo, na última reforma política, por exemplo, reduziram o tempo de campanha para 45 dias agora, afetando assim os candidatos novos e sem recursos.
Digo às vezes que a juventude hoje apesar de representar uma grande porcentagem da população ela não tem voz. E pior nem mesmo é escutada ou se quer tem políticas direcionadas para esse público. Os dados relativos a juventude são preocupantes, em Mato Grosso, por exemplo, 69,7% das  mortes de jovens, trata-se de morres por mortes violentas, sendo 31% causados no transito, 8,8% suicídios, este caso assim como  o das mortes no trânsito é muito preocupante, a cada 10 jovens que morrem 1 é por suicídio e 3 no trânsito. A evidente necessidade de construção de políticas públicas para juventude fica clara quando comparados com os dados da população não jovem em que apenas 9,6% das mortes são violentas.
O acesso à educação infelizmente ainda não está garantido para toda a juventude, segundo o CENSO de 2010 1,8% dos jovens mato-grossense entre 10 a 17 anos de idade são analfabetos.
Segundo a PNAD (2012) realizada pelo IBGE, no Brasil 19% dos jovens de 15 a 29 anos não trabalham nem estudam, 45,2% somente trabalham, 13,6% trabalham e estudam e 21,6% estudam apenas. Conforme a PNAD (2012) dentre os brasileiros que nem estudam e nem trabalham (Geração Nem-Nem) na faixa etária de 15 e 29 anos 70,3% do público é composto por mulheres. Entre 25 a 29 anos os números se ampliam ainda mais, sendo que o público feminino representa 76,9% e entre os jovens de 15 a 17 anos 59,6% da geração “Nem-nem” são mulheres. É preciso entender esse contexto e conseguir criar políticas de inclusão para esse público.
Estes são somente alguns dos desafios que envolvem as políticas para a juventude. Mas quando será que nossos governantes tratarão estes temas como prioridades? Até quando aceitaremos essa verdadeira chacina da juventude? E quando será que nós jovens vamos conseguir ter voz no Brasil. Vamos conseguir ter essa realidade que foi exposta acima modificada valorizando cada vida que esta iniciando, dando oportunidades de desenvolvimento humano e social para cada jovem no Brasil. Quando será que os gestores Brasileiros irão de fato construir e dedicar esforços para as novas gerações? 

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Será que dá tempo?

Durante o último mês escrevi quatro artigos abordando sobre os desafios da juventude Brasileira. Em 2050 seremos a maior geração de idosos que o país já teve, e a grande pergunta é: será que dá tempo para fazer as mudanças necessárias para que em nossa melhor idade tenhamos condições dignas de vida?
Como tenho dito já há muito tempo, o principal desafio é dar formação e oportunidades para que nós ainda jovens, para que consigamos trilhar caminhos que auxiliem no desenvolvimento social nosso e do nosso país. Não estou falando de nos orgulharmos de dizer que existem exceções que dão certo, que conseguem Ascenção social. Estou falando de dar boas oportunidades para toda a juventude. Precisamos garantir uma boa educação e oportunidade para todos!
A transformação ocorre com mais facilidade em ciclos de desenvolvimento econômico, sendo assim, o país precisa voltar a crescer, mas precisamos saber aproveitar esses momentos de crescimento para gerar oportunidades e reduzir as desigualdades sociais e melhorar as condições de vida de toda a população. Para termos qualidade de vida é preciso investir na humanização das cidades, transporte decente, parques, saneamento básico, ou seja, qualidade de vida para todos os cidadãos.

Estas mudanças podem contribuir para enfrentar uma série de outros problemas que existem no Brasil como, por exemplo, a questão da segurança pública. Pois um país com menos desigualdades e mais oportunidades certamente terá mais segurança. Agora para se fazer essas mudanças antes de chegarmos em 2050, teremos que começar ontem. Não podemos mais perder tempo. Precisamos para de ser o país do futuro e passar a ser o país do presente, o país da mudança, das oportunidades e das transformações sociais. 

Integração entre universidade e sociedade marca I MINASGEO

Realizado na última semana, entre o dia 18 e o dia 20 na Universidade Federal de Mato Grosso, o 1° Seminário de Engenharia de Minas e Geologia – MINASGEO reuniu autoridades, profissionais liberais, empresas, estudantes e professores que debateram diversos temas referentes ao setor mineral no estado e no país. A programação contou com apresentação cultural na abertura com Sexteto de Metais da UFMT, diversas palestras, minicursos, oficinas além de uma mesa redonda.
Os mais de 240 inscritos tiveram a oportunidade assistir palestras sobre diversos temas entre eles “Produção Mineral Brasileira e Mercado de Trabalho”, proferida pelo Dr. Cleverson Cabral. Outra temática abordada foi à relação entre a universidade e a sistema profissional, durante a palestra “Atribuição Profissional e Currículo Acadêmico” ministrada pelo Prof. Dr. Fábio Augusto Gomes Vieira Reis (UNESP), que atualmente é Vice-presidente da Federação Brasileira de Geólogos – FEBRAGEO.
Dada as atividades de campo realizada pelos cursos de Geologia e Engenharia de Minas, o evento ofereceu também uma oficina sobre “Primeiros socorros e animais peçonhentos”, realizada pelo Corpo de Bombeiros do Estado de Mato Grosso, que instruiu os presentes sobre a temática, tema de importância para as atividades de campo que os alunos e profissionais da área possuem.
                Outro tema de relevância abordado no evento foi o Projeto Aripuanã, da Votorantim Metais, na qual foi apresentada a planta mineral proposta para pela empresa, destacando os impactos sociais, ambientais e técnicos do projeto. Esse é o principal empreendimento mineral que está sendo implementado atualmente no estado, desta forma a palestra foi uma oportunidade de esclarecer dúvidas sobre o empreendimento. 
O Código Mineral foi tema de debate em uma mesa de peso, que contou com a presença do Prof. Dr. Fábio Augusto Gomes Vieira Reis (UNESP), Vice-presidente da Federação Brasileira de Geólogos – FEBRAGEO; do Prof. Dr. Jose Margarida da Silva (UFOP) Coordenador da Câmara Especializada de Geologia e Minas do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia – CONFEA; do Prof. Me. Caiubi Emanuel Souza Kuhn (Coordenador do Evento e Diretor de relações sindicais – SINGEMAT); do Dep. Federal Nilson Leitão (membro da comissão especial do novo marco da mineração); e do Dr. Cleverson Cabral (FIEMT). Os presentes possibilitaram um amplo debate apresentando as visões da todos os segmentos da sociedade sobre o novo marco.
A palestra “Evolução do conhecimento geológico no estado de Mato Grosso” proferida pelo Geólogo Waldemar de Abreu filho, Chefe do Núcleo de Apoio de Cuiabá (Serviço Geológico do Brasil – CPRM), abordou o histórico do mapeamento geológico, destacando os principais projetos realizados.
O Prof. Dr. Cláudio Lúcio Lopes Pinto (UFMG) fechou o segundo dia de evento com chave de ouro com a palestra “Determinação dos parâmetros de resistência e deformabilidade para geomecânica” abordando os principais métodos e técnicas deste campo da ciência.
No sábado o evento foi encerrado com a realização de dois minicursos sendo eles: “Dimensionamento de equipamentos de lavra” ministrado pelo Eng. de Minas Cramer de Oliveira (Técnico do Instituto de Engenharia da Universidade Federal de Mato Grosso) e o Autocad Map 3D ministrado pela Jéssica de Paula Oliveira Ferreira (Discente do Curso de Engenharia de Minas).
Com essa programação o I MINASGEO se mostrou como um espaço não só de integração, assim como uma ótima oportunidade de desenvolver um diálogo entre professores, estudantes, gestores públicos, empresários e da sociedade em geral.

O evento contou com o apoio do Sindicato das Indústrias Extrativas de Minérios (SINDIMINERIO), do Sindicato das Indústrias de Extração do Calcário do Estado de Mato Grosso (SINECAL), da Sociedade Brasileira de Geologia (SBG), do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA-MT), do PET Geologia, da Votorantim Metais, da Império Mineração, da Associação dos Geólogos de Cuiabá (GEOCLUBE), da Associação dos Profissionais Geólogos do Estado de Mato Grosso (AGEMAT), e do Sindicato Geólogos do Estado de Mato Grosso (SINGEMAT).
























segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Desastres naturais. É possível prevenir?

Na última semana, vários municípios da região oeste do Estado de Mato Grosso têm aparecido nos noticiário devido à situação de emergência. A região vem sofrendo com enchentes e a ainda há relatos de moradores sobre blocos de rochas que teriam rolado montanha a baixo.
            Antes de qualquer coisa parabenizo o Governo do Estado pela atenção que tem dedicado a estes municípios, mas como geólogo não posso deixar de fazer algumas ressalvas em relação às políticas que o estado tem desenvolvido ao longo do tempo em relação à prevenção e contenção de desastres naturais. Em um artigo anterior abordei sobre o histórico de Mato Grosso em relação a terremotos, sendo que nosso estado registrou em 1955 o maior terremoto da história do nosso país (6,2 mb na escala richter).
            Voltando aos últimos acontecimentos, o estado além de dar atenção à população da área afetada precisa também saber lidar com as adversidades da natureza. Para isso, o governo precisa ter entre seus quadros técnicos profissionais habilitados e com formação adequada para garantir que os trabalhos sejam feitos com responsabilidade e da melhor forma possível.
            O problema é que desde governos anteriores o que se tem observado é que não existe de fato um entendimento que é preciso o estado ter uma equipe técnica para lidar com os diversos assuntos referentes ao uso e ocupação do solo. É preciso desenvolver os estudos adequados para desta forma, poderem ser tomadas as medidas que garantam a proteção da população. Segundo o site do Governo do Estado entre as atribuições da defesa civil estão: 1) Promover estudos referentes às causas, ameaças, vulnerabilidades e consequências de ocorrências de desastres de qualquer origem no Estado; 2)Promover a implantação de centros de ensino, pesquisas e gerenciamento sobre possíveis desastres dentro do Estado; 3) Promover a prevenção, a preparação, o monitoramento e a resposta a áreas atingidas por desastres.
            Em outros estados e países a defesa civil possui em seu quadro técnico geólogos que desenvolvem diversos trabalhos para mapear áreas de riscos, desenvolver cartilhas de orientação, realizar estudos sobre a drenagem e permeabilidade, estudos de uso e ocupação do solo através das cartas geotécnicas entre muitas outras funções. Precisamos que Mato Grosso siga os exemplos dos estados que estão lidando com esta temática de forma técnica, e desenvolvendo ações não só quando o leite já derramou, e sim realizando medidas de prevenção.

            No final do ano passado as entidades ligadas à geologia fizeram uma carta (Abaixo) relatando a falta de profissionais nas secretarias do governo. É preciso que o estado estabeleça um corpo técnico capaz de realizar todas as medidas de prevenção e mitigação de desastres naturais, por isso, reforço o coro das entidades da geologia. Governador Pedro Taques, abra CONCURSO PÚBLICO para geólogos JÁ! 

Acesso ao emprego, um desafio posto para a nossa juventude!

A busca pelo emprego, em especial pelo primeiro emprego é um dos grandes desafios da juventude. Afinal muitas das oportunidades existentes têm como pré-requisito ter tido experiências anteriores. Quando a pessoa não é qualificada esse desafio aumenta ainda mais.
Antes de tudo, como disse em outro artigo, a busca por empregos hoje no mundo ultrapassou as fronteiras dos países. Se hoje as grandes empresas são internacionais o seu quadro de funcionários também é. Esse quadro tem a se ampliar cada vez mais, hoje temos milhares de jovens tendo uma formação de qualidade em muitos países em desenvolvimento e em muitos países desenvolvidos a busca por empregos é a principal preocupação da juventude. Nestes países existem muitos jovens capacitados, mas que não conseguem achar na sua cidade ou mesmo na sua nação uma vaga de emprego. Pois bem, estas pessoas irão procurar oportunidades onde elas tiverem. Então posso dizer que hoje, nós jovens, disputamos sim empregos com pessoas formadas em muitos países do mundo.
Neste mundo internacional do trabalho, ter uma formação de qualidade deixou de ser um diferencial e passou a ser um ponto básico, assim como o domínio de idiomas passou também a ser pré-requisito.  E não estou falando só das pessoas que irão trabalhar lá fora, quem for trabalhar aqui mesmo no Brasil precisa disso, pois hoje cada vez mais utilizamos informações e tecnologias de muitos outros países.
Para completar o cenário sobre o emprego, além da dificuldade de conseguir acesso ao mercado de trabalho, o jovem é o mais afetado pelas crises existentes, pois mesmo com mundo do trabalho em expansão muitos jovens já tem dificuldade de acesso ao emprego e renda, imagina então como fica a situação da nossa juventude na crise? Sem expansão do mundo do trabalho os jovens que buscam por emprego ficam com oportunidades cada vez mais escassas.
Os desafios são muitos, em tempo de crise, em um país com grandes problemas educacionais e estruturais é preciso desenvolver ações que possam mudar a realidade. Mas como fazer isso em um país onde política para juventude é escassa? Será que a necessidade a realidade dos jovens está entre as prioridades dos governos? 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

A educação dos jovens e o cenário mundial

Recentemente abordei em um artigo sobre “A juventude de hoje e o Brasil de 2050! Como será o futuro?”. Hoje continuarei essa temática dando enfoque a alguns fatores que são capazes de criar as condições básicas para o desenvolvimento social e humano de nossa juventude.
Segundo dados do Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA) em 2014 cerca de nove em cada dez pessoas com idade entre 10 e 24 anos vivem em países menos desenvolvidos. A população jovem são 1,8 bilhões de pessoas, um número até então sem precedentes na historia da evolução humana. Esse grande contingente de jovens pode representar para os países um Bônus Demográfico, esse bônus trás com ele grandes desafios e grandes oportunidades.
O Bônus demográfico é uma oportunidade de desenvolvimento social e econômico, segundo o UNFPA para que isso ocorra os países precisam investir: 1) no capital humano dos jovens; 2) expandir o acesso à contracepção; 3) aumentar as oportunidades de emprego; e 4) melhorar o acesso ao sistema financeiro.
O início deste percurso passa necessariamente pela garantia de uma educação de qualidade e com isso ampliar as oportunidades de desenvolvimento humano dos jovens. O efeito deste processo todo leva a uma transformação social com a melhoria da qualidade de vida de toda a sociedade.
O Grande problema desta história é que no Brasil estamos perdendo, ou melhor, já perdemos a oportunidade de utilizar esse bônus demográfico para de fato iniciar um processo de desenvolvimento no país que seja capaz de criar musculatura para enfrentar os grandes problemas sociais e estruturais da nossa nação.
Como resultado disso tem uma geração que ainda tem dificuldades em ter acesso a um curso superior ou técnico. Ainda se tem uma luta muito grande para se conseguir uma vaga em um curso. No país como um todo o domínio de outros idiomas ainda é um desafio. Toda vez que um jovem não consegue dar continuidades em sua formação o país perde, pois deixa de qualificar e de dar oportunidades para um de seus cidadãos.
Deixo aqui bem claro que sou defensor de uma educação de qualidade e que a expansão deste sistema educacional tem que estar obrigatoriamente ligado a garantia da qualidade do ensino.
Já a geração de oportunidades de emprego precisa estar associada a uma série de políticas planejadas que tenham ligação com um plano de desenvolvimento para o país. Precisamos compreender que no mundo do século XXI é necessário que o Brasil seja inovador e que tenha as condições de desenvolvimento de tecnologias e patentes.
Por fim, a juventude precisa ter acesso ao crédito, precisam ter condições de criar seus empreendimentos. Neste ponto cabe destacar que em nosso país todos nós somos quase assaltados devido aos autos juros cobrados por bancos. A realidade para os jovens não é diferente, e às vezes é ainda pior, pois sem rendas bem estabelecidas por muitas vezes acabam caindo em armadilhas financeiras.

Mas o que estes tópicos têm a ver com o cenário mundial? Nossos jovens estão concorrendo pelas mesmas oportunidades com bilhões de outros jovens que estão em seus países tendo acesso a educação, a políticas de planejamento familiar, a empregos e crédito a baixo custo. Em alguns casos os jovens vêm de outras nações em busca de oportunidades que existem no nosso país. Mas e como ficará a nossa juventude? Com todas essas dificuldades como poderemos construir um país com melhores condições de vida para quando nós estivermos na melhor idade? 

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

A juventude de hoje e o Brasil de 2050! Como será o futuro?

              Nos últimos anos tive a oportunidade de ministrar algumas palestras para o público jovem, um tópico que sempre abordei foi o futuro que temos desenhado para a nossa geração. O Brasil passa desde o final da década de 80 por um processo que se chama inversão da pirâmide populacional, este fenômeno que já ocorreu em diversos outros países representa o envelhecimento da população. O que isso tem a ver com a juventude de hoje?
           Pois bem, nasci em 1990 e a geração que faço parte tem grandes desafios pela frente. Em 2050, nós que fazemos parte da maior geração de jovens do Brasil seremos a maior geração de idosos que o país já teve, ou seja, seremos a maior geração de aposentados. Ou não! Em 2016 o rombo da previdência social está em R$ 88,9 bilhões de reais, isso significa que mesmo hoje onde temos muitas pessoas contribuindo para a previdência os valores arrecadados são insuficientes para cobrir os benefícios pagos. Se hoje está assim, imagina como estará em 2050?
              Esse cenário se torna ainda mais crítico se relacionarmos o envelhecimento da população com vários problemas existentes no Brasil hoje. A educação do Brasil tem muito que melhorar, em um ranking divulgado em 2015 pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) o Brasil ficou na 60° posição entre 76 países. Em 2013 o Brasil ainda registrava 13 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais, ainda temos crianças que não possuem acesso à educação. Quais as possibilidades de emprego que os jovens que nem se quer tiveram acesso à educação terá durante a vida? Com certeza não serão as melhores visto que cada vez mais se exige preparo para se ter acesso a bons empregos. No mundo de hoje os jovens não disputam mais empregos somente com as pessoas de seu bairro ou sua cidade, as grandes empresas buscam hoje profissionais em outros estados e países. Com isso a concorrência e a necessidade de se preparar ficaram ainda maiores, e esse cenário não deve mudar nas próximas décadas.
           Para completar, as cidades brasileiras não vêm apresentando grandes avanços em relação à mobilidade urbana e ampliação da qualidade de vida para a melhor idade. O que deveria ser obrigação dos nossos governantes muitas vezes fica em segundo plano e as ruas, as calçadas, o transporte público entre outros, não oferecem as condições dignas de uso para os cidadãos.

        Para resumir, temos um país com uma grande deficiência educacional, jovens que tem dificuldades de acesso ao primeiro emprego, cidades que não oferecem estruturas para a melhor idade e um rombo crescente na previdência social. Como poderemos enfrentar estes problemas? Nas próximas semanas farei mais alguns artigos abordando este cenário. 


Pirâmide etária em 2015 segundo o IBGE

Projeção da pirâmide etária do Brasil em 2050 segundo o IBGE

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Salve o Mirante de Chapada dos Guimarães

O descaso do poder público com os patrimônios naturais pode ter tristes consequências. Desde o ano passado o Mirante de Chapada dos Guimarães, tradicional ponto turístico do nosso estado, está interditado devido a erosões profundas que avançam em um ritmo acelerado.

Mesmo sendo um problema antigo, nunca foram tomadas as devidas providências para controlar as erosões que corroem o mirante. Nos últimos anos novos sulcos têm surgido, outros tem se aprofundado ao ponto de transformarem em boçorocas.
O surgimento destes processos erosivos tem relação com o mau planejamento das trilhas que existem no local, ou melhor, o não planejamento das trilhas. Toda a ocupação do mirante foi realizada pelos próprios visitantes e as trilhas que surgiram ao longo do tempo criaram as condições perfeitas para que ocorresse a concentração de água em alguns pontos do terreno. Devido à declividade a água ganha velocidade nas trilhas e acaba por gerar as erosões.    
A solução para o problema passa pela realização de estudo da drenagem local evitando a concentração do fluxo de água. É preciso também a interdição total das trilhas para que possa ocorrer a nascer vegetação nos percursos possibilitando a recuperação gradativa do meio ambiente.
É possível sim termos em médio prazo a visitação as bordas das escarpas do mirante, mas para que isso ocorra é preciso primeiro recuperar a área e também realizar um estudo adequado para implantação de trilhas prezando pela preservação do meio ambiente e pela segurança dos turistas.

A cada dia que se passa sem que sejam tomadas às devidas providências para a preservação ambiental deste importante patrimônio turístico, a recuperação ambiental se torna mais difícil. Deixar um problema ambiental se agravar é uma grande falta de responsabilidade dos órgãos públicos. Será que nossos gestores acham que podem reconstruir um patrimônio natural? Será que na visão dos gestores um cartão postal como o Mirante não tem relevância? Precisamos debater esse tema e encontrar soluções o mais breve possível antes que as próximas chuvas de verão levem consigo mais um pedaço do nosso Mirante de Chapada dos Guimarães. #SALVEoMIRANTE

segunda-feira, 13 de julho de 2015

O desenvolvimento científico e a crise econômica

O Brasil passa por uma crise econômica que vem se agravando no último ano. E quais os efeitos desta crise no desenvolvimento científico do Brasil e em especial do estado de Mato Grosso?
Para iniciar o debate sobre esse assunto é preciso primeiro ressaltar os números referentes aos programas de pós-graduação no nosso país. São nestes programas que boa parte da pesquisa do Brasil é produzida, sendo assim, precisamos analisar a fundo o cenário da pós-graduação e sua relação com o desenvolvimento regional das diversas unidades federativas.
    A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) avalia de três em três anos os programas de pós-graduação no Brasil, as notas variam de 3 a 7, sendo a 3 a nota mínima para o programa ficar aberto. E os números são claros, existem hoje assimetrias regionais que precisam ser corrigidas. Os programas de pós-graduação de excelência estão concentrados no eixo sul, sudeste e mais o distrito federal. A Amazônia Legal que envolve os estados do norte, o Maranhão e o Mato Grosso é a região onde a pós-graduação mais precisa ser fomentada.
Hoje o Centro Oeste possui 4 programas de mestrado ou doutorado com nota 7, sendo todos da UNB, o Nordeste 2, o Sul possui 40 e o Sudeste 244. Ou seja, na Amazônia legal não temos hoje nenhum programa com nota máxima. A situação não muda muito em relação aos programas nota 6, 5 e 4: Nota 6: Centro-Oeste 24 (UNB 20 e UFG 4), Nordeste 46, Norte 6 (UFPA 4 e INPA 2), Sudeste 335 e o sul 124; e Nota 5: Centro-Oeste 50 (UNB 22, UCB 6, UniCEUB 2, UFG 10, PUC-GO 2, UFMS 2 e UFGD 2, UFMT 4), Nordeste 165, Norte 18 (INPA 4, UEA 2, UFAM 2 e UFPA 10), Sudeste 677 e o sul 266.
Nota-se que proporcionalmente a grande maioria dos programas de pós-graduação que estão localizados na região da Amazônia legal possuem nota 3 ou 4 (Nota 4: Centro-Oeste 215, Nordeste 450, Norte 119, Sudeste 998 e o sul 460; e nota 3: Centro-Oeste 153, Nordeste 394, Norte 124, Sudeste 565 e o sul 333).
Esses números levantam uma grande preocupação: será que o Brasil possibilita condições para o desenvolvimento da ciência em todas as regiões? A resposta é clara! É preciso hoje se debater o desenvolvimento científico tecnológico em especial da Amazônia Legal, fortalecendo os centros de ciências e grupos de pesquisa. Para isso é preciso políticas de combate às assimetrias, é preciso recursos para estruturar e possibilitar que os pesquisadores consigam desenvolver a pesquisa com todas as condições necessárias.
A crise econômica tem influenciado fortemente neste contexto, os consecutivos cortes de gastos na educação e na ciência e tecnologia tem afetado fortemente as universidades de todo país, mais com certeza tem tido um efeito maior sobre as universidades situadas fora do eixo sul-sudeste, e em especial sobre as universidades e grupos de pesquisas situados nos estados da Amazônia Legal.
Na ultima quinta-feira dia 9/7, o Ministério da Educação informou aos reitores que houve equívoco na nota emitida pela Capes. O governo alegou que não ocorreu um corte de 75% e sim a liberação de apenas 25% do total do orçamento Programa de Apoio à Pós-Graduação — PROAP das IFES. E lógico que a medida não foi nada bem recebida e gerou muita indignação dentre mestrandos, doutorandos e professores. A CAPES então voltou atrás e decidiu cortar apenas 10% do valor.
Destaco ainda que a CAPES há vários anos não libera novas cotas de bolsas de pesquisa para os programas. Como ficam então os novos programas de pós-graduação que estão sendo criados? Como desenvolver pesquisa sem ter recursos?
É preciso que o governo federal discuta e estabeleça uma política clara de apoio ao desenvolvimento da ciência nestes estados. O governo federal precisa criar uma política arrojada de fixação de doutores para que novos núcleos de pesquisa possam se estabelecer ou se fortalecerem, outra ação necessária é a liberação de novas cotas de bolsas para os programas da Amazônia legal, se isso não for feito, teremos sérias dificuldades para conseguir de fato assegurar o desenvolvimento de ciência nesta região.
O governo precisa criar editais específicos para os estados onde a pós-graduação é emergente, precisamos de equidade no desenvolvimento do Brasil, é preciso melhorar as condições para professores orientadores e para os pós-graduandos.

O investimento em ciência e tecnologia é o caminho para superar as dificuldades existentes no nosso país. Não podemos deixar a crise econômica de o nosso país reduzir ainda mais o investimento em criação de novas tecnologias e formação de pessoal. Em um mundo cada vez mais moderno, investir em ciência é construir um futuro melhor. 

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Os museus como instrumento de transformação

Os museus são importantes ferramentas de divulgação e propagação de diferentes aspectos inerentes ao ser humano, envolvendo desde seu modo de vida, história, ciência e cotidiano. Em um país com a dimensão continental que o Brasil possui e com as diferenças regionais, culturais e econômicas existentes, é preciso pensar sobre a democratização do acesso a instituições museológicas, pois estas hoje se encontram concentradas principalmente em grandes centros urbanos.
O contato com diferentes exposições auxilia no processo de aprendizagem e compreensão de aspectos científicos e culturais. A centralização destas instituições pelo país em ilhas oferece como impacto inclusive o risco a preservação de acervos, tendo em vista que ocorrem casos de distanciamento geográfico entre local de origem dos artefatos e as instituições museológicas.
A compreensão da necessidade de preservação da cultura imaterial também é um assunto que deve ser discutido. Este tema tem ganhando destaque nos últimos anos ao se avaliar a importância das informações construídas através de gerações em comunidades e populações tradicionais ou então para se compreender as realidades e grupos sociais existentes.
A cultura imaterial representa uma grande riqueza acumulada e que caso não trabalhada e documentada pode se perder devido ao processo de globalização e difusão massiva de informações culturais dos grupos dominantes, através das ferramentas de comunicação. A riqueza existente no conhecimento de populações tradicionais, quilombolas e indígenas deve ser preservada. Para isso, os museus e os trabalhos de documentação destas informações são vitais para manter viva a linguagem, as danças, a culinária entre outros muitos elementos que compõem as tradições e modo de vida destas pessoas.
Sobre a preservação do patrimônio museológico é importante ressaltar que o distanciamento entre o desenvolvimento da ciência e a população de regiões alvo de pesquisas pode ter um resultado drástico. Um exemplo que pode ser citado sobre isso é em relação ao patrimônio arqueológico e paleontológico, ambos são considerados como patrimônio da união e tem uma característica singular, os fósseis e artefatos são encontrados em determinadas regiões onde muitas vezes as instituições museológicas são ausentes e posteriormente os materiais são transportados e expostos nos museus existentes nos grandes centros.
Como se pode preservar algo que não se conhece ou que não se tenha construído uma relação de convivência? Por isso a descentralização de ferramentas museológicas também pode ser vista como uma importante ação para a preservação de artefatos e acervos. A democratização do acesso aos museus deve ser pensada e trabalhada no Brasil como instrumento educacional, cultural e científico.
A descentralização das instituições museológicas pode cumprir uma função importante no desenvolvimento econômico das localidades onde se existam acervos relevantes, gerando emprego e renda. Essas perspectivas são observadas ao longo do mundo em cidades e países que tem como importante base econômica o turismo. A compreensão do patrimônio museológico como bem rentável a municípios e regiões deve ser fomentada de forma inter-relacionada aos muitos outros aspectos que envolvem a museologia.
             Para enfrentar e trabalhar estes distintos temas apresentados acima, é preciso que os gestores públicos entendam que os museus cumprem um importante papel na nossa sociedade e que o acesso ou não a eles, possuem impactos econômicos, sociais e científicos. A democratização dos museus passa pela ampliação e descentralização das instituições museológicas, pela elaboração de exposições itinerantes que cheguem para além dos grandes centros urbanos e pela utilização de ferramentas digitais de comunicação para construir caminhos entre os acervos e o público das diferentes regiões.
Essas ações devem sempre ser pensadas e construídas em uma consonância entre as populações locais e instituições museológicas, para que assim tenhamos cada vez mais museus, mais público e mais informação a toda a nossa sociedade.


 Radharani Kuhn, Estudante de Comunicação Social – Radialismo (UFMT),
Caiubi Kuhn, Geólogo e Mestre em Geociência




terça-feira, 16 de junho de 2015

HÁ 60 ANOS OCORRIA EM MATO GROSSO O MAIOR TERREMOTO DA HISTÓRIA DO BRASIL!

No último mês o noticiário do mundo inteiro tem destacado a situação de calamidade que passa o Nepal. Mas e nós Mato-grossenses estamos imunes a estas forças da natureza? Não. Há cerca de 60 anos atrás, mais precisamente no dia 31 de janeiro de 1955, ocorria na Serra do Tombador, localizada na região Norte do estado, a 100 km da cidade de Porto dos Gaúchos, o maior terremoto registrado na história do Brasil, o sismo teve uma magnitude de 6,2 mb na Escala Richter. 
Na época do ocorrido, não se foi registrado grandes estragos, mas com certeza se esse terremoto ocorresse hoje poderíamos ter outras consequências, visto que nestes 60 anos a densidade populacional do estado aumentou muito. Fica então a pergunta: Será que nosso estado está preparado para lidar com desastres naturais? 
Pois bem, vamos lembrar-nos de outros fatos históricos que tem uma intima relação com a natureza. No final da década de 60 o pantanal mato-grossense passou por uma dura seca de aproximadamente de 4 anos, esse fato ficou registrado na memória dos pantaneiros e também nas poesias de Manoel de Barros. 
Muitas das águas que formam a planície alagada, antes de chegar até lá começaram a correr pelos planaltos de nosso estado. Ou seja, se o Pantanal esteve seco nesta época é por que estava chovendo pouco na cabeceira dos rios da Bacia do Paraguai. Hoje nosso estado possui como base da economia a agricultura. Será que conseguiríamos enfrentar uma seca prolongada? Existem muitos fatores que afetam os ciclos hídricos e alguns destes ciclos duram décadas, séculos ou milênios. Para compreendê-los é preciso estudar a historia do nosso planeta ao longo das eras. 
As perguntas colocadas à cima e muitas outras intrigam a sociedade no dia a dia. Mas para que possamos ter respostas concretas sobre esses temas é preciso que o Estado aprofunde os estudos geológicos, para assim, conseguir entender melhor as forças naturais que existem nosso planeta. 
Neste mês de maio comemora-se o dia dos Geólogos (dia 30), e a principal atividade que será realizada é um debate com toda a sociedade na Assembleia Legislativa, na sexta-feira dia 29, às 13h, no Auditório Dep. Milton Figueiredo, onde ocorrerá uma Audiência Pública com a temática: “Geologia e políticas públicas e as perceptivas do setor mineral”. 
Prever desastres naturais é algo quase impossível nos dias de hoje, mas podemos juntos debater como planejar as nossas ações para garantir que no futuro tenhamos um planeta cada vez melhor para se viver. 

CAIUBI KUHN 
Geólogo e Mestre em Geociências 
caiubigeologia@hotmail.com

O vestibular e as eleições

“É preciso pensar em reduzir a força do capital financeiro e também garantir igualdade de fato nas disputas”
No mês de outubro passado, dois temas de grande repercussão nos meios de comunicação foram as eleições e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). 
E o que esses dois temas têm em comum? É simples, o primeiro se tratava da disputa político-partidária que decidiu como será o nosso governo nos próximos anos. 
O segundo tema se trada da disputa entre candidatos para conseguir uma vaga em uma universidade.
Em resumo, os dois assuntos deveriam ser disputados de forma igualitária. Todos nós sabemos das desigualdades que existem na educação do nosso país, mas e nas eleições será que a disputa é igualitária? Neste artigo irei agora comparar o processo eleitoral com um vestibular.
Antes de começar, devemos lembrar algumas "regras e fatores da nossa política atual". No Brasil existem hoje 33 partidos regulares, regidos por seus estatutos e para se chegar à disputa eleitoral é necessário passar pelo crivo partidário. Contudo, esse crivo tem suas regras que não são necessariamente as mais democráticas possíveis.

A disputa eleitoral e feita através de coligações cuja construção muitas vezes não está ligada à ideologia, e sim a quantidade de tempo de TV que cada partido possui. Mas de onde vem o tempo?
Cada partido tem seu tempo de TV e fundo partidário de acordo com a quantidade de deputados federais que a sigla possui. 
A democracia nos partidos do Brasil é questionável e o projeto ideológico da maioria dos partidos já foi deixado de lado faz tempo. 
Essa critica foi apresentada de forma clara nas manifestações de junho do ano passado onde entre as principais pautas estava a Reforma Política.
Vamos entender um pouco mais das desigualdades no processo eleitoral comparando-o com o vestibular: 
Imagine você fazendo uma prova em que tem 1h para concluí-la, e seu concorrente tem 7 horas. Pois essa é a realidade da distribuição do tempo de TV dentro de grande parte das coligações. 
Normalmente, um ou outro candidato “escolhido” ganha a maior parte da “fatia democrática” do tempo de TV, e com isso sai na frente de todos os seus concorrentes. 
Basta lembrar das eleições, que com certeza o leitor lembrará de alguns candidatos que apareciam mais na TV do que propaganda de carro.
Além da diferença de tempo, terá que resolver todas as contas de matemática usando uma caneta e papel, enquanto seu concorrente tem computadores, calculadoras e ainda uma bela equipe de professores para acompanhar cada cálculo. 
Hoje, as regras de financiamento de campanha e o uso da maquina pública fazem com que se tenha um desnivelamento gigantesco entre as estruturas dos candidatos. 
Essas diferenças ocorrem em quase todos os partidos e coligações, e alguns me dizem ser “normal” da democracia Brasileira. Mas me pergunto: realmente o processo assim é de fato democrático?
Acredito que o Brasil precisa de uma reforma política de verdade, que mecha desde as estruturas partidárias até o processo de escolha dos candidatos. 
É preciso pensar em reduzir a força do capital financeiro e também garantir igualdade de fato nas disputas eleitorais. 
Agora, o complicado é que essa reforma política, para ocorrer precisa ser votada pelos próprios políticos que em geral foram eleitos devido às regalias que obtém na disputa. Isso significa que teríamos que ver o congresso nacional e as lideranças partidárias cortando da própria carne. 
Será que isso um dia irá acontecer?
Para mudar o Brasil de verdade é preciso que a reforma política aconteça. 
Enquanto a política brasileira não mudar, continuaremos a viver em um país com sérios problemas sejam eles sociais, econômicos ou estruturais, pois, os vícios do processo eleitoral são apenas a ponta de um gigantesco iceberg que pode afundar esse gigante país chamado Brasil!