quarta-feira, 29 de agosto de 2018

O que propõem os presidenciáveis em relação a MINERAÇÃO, PETRÓLEO e RECURSOS NATURAIS?


A indústria extrativa Mineral representou em 2017 1,8% do Produto Interno Bruno (PIB), resultado bem inferior ao alcançado em outros anos a exemplo de 2012, onde na época o setor alcançou a marca de 4,5% do PIB.
Mesmo com esse resultado, segundo o IBGE os recursos minerais e energéticos brasileiros foram um destaque positivo no ano de 2017. Segundo o relatório “Na Indústria, o destaque positivo foi o desempenho da atividade Indústrias Extrativas, que cresceu 4,3% em relação a 2016, influenciada tanto pelo avanço da extração de petróleo e gás natural quanto de minérios ferrosos.”


Contudo mesmo relatório aponta uma contradição no setor, marcada pelo aumento da exportação de petróleo e gás, no mesmo momento que também se aumenta a importação de refino de petróleo. Segundo IBGE “No âmbito do setor externo, as Exportações de Bens e Serviços cresceram 5,2%, enquanto as Importações de Bens e Serviços avançaram 5,0%. Entre os produtos e serviços da pauta de exportações, os maiores aumentos foram observados na agricultura, petróleo e gás, indústria automotiva e máquinas e equipamentos. Já entre as importações, as maiores altas foram observadas em refino de petróleo, materiais eletrônicos e equipamentos de comunicação e vestuário.”
Considerando a importância econômica e estratégica dos recursos naturais, da atividade de extração mineração e do petróleo e gás, esse relatório apresenta uma compilação dos planos de governos dos principais candidatos à presidência do Brasil. O texto foi extraído na integra e caso o leitor queira buscar mais informações, ao fim de cada parágrafo consta o número da página em que a informação foi encontrada e ao fim deste documento estão todos os links dos planos de governos dos presidenciáveis citados.
LULA & HADDAD

5.1.8 NOVO MODELO DE MINERAÇÃO O Brasil possui uma imensa riqueza mineral. O país, porém, exporta minérios brutos, sem valor agregado, gerando empregos em outros países. Por outro lado, crimes ambientais como o de Mariana (MG) e de Barbacena (PA) ligaram o sinal de alerta máximo pelos impactos ambientais e sociais que produziram. Além de exigir a punição dos responsáveis, o governo Lula vai criar um novo marco regulatório da MINERAÇÃO, a ser construído de forma participativa, prevendo medidas para que a atividade mineradora produza com maior valor agregado e responsabilidade social e ambiental. O marco ainda conterá previsão para a responsabilização das empresas e pessoas físicas quanto aos impactos ambientais e sociais por práticas que desrespeitem a legislação; a criação de órgão de fiscalização e regulação da atividade mineradora; estímulo ao desenvolvimento tecnológico e inovação das empresas do setor; e a instituição de políticas para as comunidades atingidas pela MINERAÇÃO, inclusive compensação financeira.A agregação de valor à cadeia da MINERAÇÃO e a produção sustentável contribuem para o desenvolvimento do país e para a proteção da sociobiodiversidade brasileira. Além do marco regulatório, é preciso investir em pesquisa e mitigação de impactos para o setor. (pg. 52)

RECURSOS NATURAIS
3- Suspender a política de privatização de empresas estratégicas para o desenvolvimento nacional e a venda de terras, água e RECURSOS NATURAIS para estrangeiros. (pg 38)
O presidente Lula entende que o Poder Público tem um papel fundamental na democratização do acesso a terras rurais e urbanas, no ordenamento dos usos do solo e da água, na proteção da biodiversidade e na regulação democrática dos RECURSOS NATURAIS. Mais do que isso, o Estado deve prover políticas articuladas voltadas ao território, terras, rios e florestas, visando o viver bem no campo e na cidade. (pg. 59)

PETROBRÁS e PETRÓLEO
A crise do capitalismo, que teve seu epicentro nos países desenvolvidos, tem causado profundo impacto negativo sobre o Brasil e sobre a América Latina. A resposta dos países centrais é, no plano interno, aprofundar os ataques contra os direitos políticos e sociais das classes trabalhadoras, e, no plano externo, aprofundar as agressões imperialistas contra a soberania nacional dos países economicamente mais frágeis e desencadear as guerras de pilhagem contra alguns países, especialmente os detentores de importantes reservas de PETRÓLEO. (pg. 7)
D) Criação de novo padrão de financiamento, visando progressivamente investir 10% do PIB em educação, conforme a meta 20 do PNE; implementação do Custo-Aluno-Qualidade (QAQ) e institucionalização do novo FUNDEB, de caráter permanente, com aumento da complementação da União; retomada dos recursos dos royalties do PETRÓLEO e do Fundo Social do Pré-Sal; (pg. 24)
2- Retomada dos investimentos da Petrobras; (pg. 39)
4- Voltar a direcionar recursos do Fundo Setorial do PETRÓLEO na composição do FNDCT (pg. 47)
Além disso, perseguirá o aumento da eficiência energética, fortalecerá o Programa Reluz e estenderá o Programa Luz para Todos para localidades isoladas na Amazônia. O governo Lula vai devolver à Petrobras o papel de agente estratégico do desenvolvimento brasileiro, restaurando sua lógica de empresa integrada de energia – exploração e produção, refino e distribuição –, e ampliando a sua capacidade de refino, a fim de garantir a independência no fornecimento de derivados ao País. Para isso, será interrompido o ciclo de alienação de ativos da Petrobras. Além disso, será retomado o seu papel como operadora única no Pré-Sal brasileiro, assim como em outras áreas de interesse estratégico. Para isso, o governo reduzirá o ritmo dos leilões do Pré-Sal, e o fará simultaneamente à remontagem da cadeia de fornecedores e redesenho da política de conteúdo nacional. A política de preços de combustíveis da Petrobras será reorientada. O mercado brasileiro é aberto a importações e, portanto, não é possível manter os preços domésticos completamente desalinhados dos preços internacionais por muito tempo. No entanto, não é necessário que esses ajustes se façam ao sabor da volatilidade diária de um mercado altamente especulativo, com elementos formadores de preço muito distantes da realidade econômica nacional. No longo prazo, a estatal terá papel-chave como uma empresa-líder de energia, com um portfólio que incluirá energias renováveis, tecnologias de captura e armazenamento de carbono, e agregação de valor ao uso não-energético do PETRÓLEO e seus derivados. Além disso, serão retomados os investimentos em biocombustíveis, especialmente biodiesel e etanol de última geração, por meio de instrumentos de incentivo à produção, ampliação dos empreendimentos existentes e implantação de novos. (pg.  51)

CIRO GOMES

O Brasil tem condições, riquezas e recursos para tanto. Mas isso requer um plano, um caminho estabelecido entre a sociedade e o governo, entre os trabalhadores, o setor privado e o setor público, que defina claramente políticas de desenvolvimento focadas na expansão da competitividade dos setores produtivos, com especial destaque para a indústria de transformação e redobrada atenção ao setor exportador, considerando também a força de nosso agronegócio e da nossa MINERAÇÃO, que geram essenciais divisas para as contas externas do país. Precisamos gerar empregos para milhões de brasileiras e brasileiros. Esse é um dos objetivos mais importantes de nosso programa. Para atingirmos esses objetivos, o país precisa retomar o crescimento e uma série de medidas econômicas serão necessárias; todas elas visam o aumento dos investimentos que ampliarão a capacidade produtiva, possibilitando a criação dos novos empregos tão necessários. Diversas medidas serão necessárias, e a seguir descreveremos as principais delas. (pg. 10)

Desenvolvimento e reconstrução de nossa relação com a China, condicionando o avanço da presença chinesa no Brasil à colaboração com nosso governo e nossas empresas na qualificação produtiva e tecnológica, inclusive de nossa agricultura, pecuária e MINERAÇÃO; (pg. 60)

RECURSOS NATURAIS
Definição de quatro grandes complexos prioritários. A escolha desses complexos se deve aos seguintes fatores: • o seu impacto sobre a balança comercial, através da elevada participação de insumos importados em seu processo produtivo; • o seu impacto positivo sobre a produção dos demais setores; • a possibilidade de melhor aproveitamento, com agregação de valor, de nossos RECURSOS NATURAIS; • a geração de tecnologia que poderá ser disseminada aos demais setores da economia. São eles o agronegócio, a defesa, o setor de óleo, gás e biocombustíveis e a produção de bens para atender aos serviços de saúde. (pg.  15)
Um projeto nacional de desenvolvimento calcado em democratização de oportunidades e capacitações e rico em inovações institucionais tem como contrapartida a construção da soberania nacional. O projeto externo abre espaço para o sucesso do projeto interno. Os instrumentos fundamentais e gêmeos do projeto externo são a defesa e a política exterior. Já o resguardo da soberania nacional ultrapassa os limites da defesa e da política exterior; inclui também, por exemplo, o controle nacional de nossos RECURSOS NATURAIS estratégicos. O Brasil ascende no mundo sem imperar. É o mais pacífico dos países de dimensão continental. Por isso mesmo, sofremos a tentação de menosprezar nossa defesa. Precisamos poder dizer não aos que quiserem nos negar condições para desenvolvimento nacional soberano. Não nos convém viver num mundo em que só os meigos estão desarmados. Nossa orientação pacífica não nos exime de nos defender. (pg. 56)

PETROBRÁS e PETRÓLEO
Recriação do fundo soberano, para impedir as oscilações excessivas da taxa de câmbio em função dos ciclos de commodities, possibilitar a implementação de políticas anticíclicas e a estabilidade de preços importantes, como o PETRÓLEO, no mercado interno (sempre resguardando a rentabilidade das empresas produtoras desses bens). (pg. 14)
Um projeto nacional de desenvolvimento baseado na democratização de oportunidades e capacitações e rico em inovações institucionais tem como contrapartida a construção da soberania nacional; Esta inclui, além da defesa e da política exterior, o controle nacional de nossos RECURSOS NATURAIS estratégicos, como as fontes de energia (PETRÓLEO, gás e o sistema hídrico, por exemplo); (pg. 56)
Para manter o controle de nossos RECURSOS NATURAIS estratégicos, todos os campos de PETRÓLEO brasileiro vendidos ao exterior pelo Governo Temer após a revogação da Lei de Partilha serão recomprados, com as devidas indenizações; (pg. 56)
Não há nenhuma razão nacional brasileira - estratégica, econômica ou energética - que justifique a venda das nossas reservas ao exterior ou a pressa em explorar e produzir o nosso PETRÓLEO. (pg. 56)
Nenhum país soberano entrega seu regime de águas para o controle estrangeiro. Igual ocorre com o PETRÓLEO; (pg. 57)


CABO DACIOLO

Não cita a palavra MINERAÇÃO
Não cita a palavra RECURSOS NATURAIS
PETROBRÁS e PETRÓLEO
Vamos fortalecer a competitividade das commodities brasileiras no mercado internacional porquanto isso é de elevada importância. Hoje, o minério de ferro, o ferro fundido, o aço e óleos brutos de PETRÓLEO são os principais itens que o país vende ao exterior. Dessa forma, vamos trabalhar para melhorar a qualidade desses produtos e promover o desenvolvimento científico e tecnológico do país, através de políticas de fomento voltadas à implementação de negócios para o processamento desses itens, a fim de proporcionar a melhor alocação dessa produção não somente em âmbito externo, mas principalmente no desenvolvimento nacional. (pg. 16)

BOLSONARO

Cita a palavra MINERAÇÃO, mas cita o tema indiretamente 

O Brasil deverá ser um centro mundial de pesquisa e desenvolvimento em grafeno e nióbio, gerando novas aplicações e produtos. Durante sua visita ao Japão, Jair Bolsonaro conheceu a utilização do grafeno, por exemplo, no desenvolvimento de um submarino nuclear.

RECURSOS NATURAIS
A nova estrutura federal agropecuária teria as seguintes atribuições: Política e Economia Agrícola (Inclui Comércio) RECURSOS NATURAIS e Meio Ambiente Rural Defesa Agropecuária e Segurança Alimentar Pesca e Piscicultura Desenvolvimento Rural Sustentável (Atuação por Programas) Inovação Tecnológica. (pg. 68)

PETROBRÁS e PETRÓLEO
PETRÓLEO E GÁS Desenvolvimento da Competitividade
Depois da descoberta do pré-sal, a regulação do PETRÓLEO foi orientada pelo estatismo, gerando ineficiências. A burocrática exigência de conteúdo local reduz a produtividade e a eficiência, além de ter gerado corrupção. Além disso. não houve impacto positivo para a indústria nacional no longo prazo. Assim será necessário remover gradualmente as exigências de conteúdo local. O emprego na indústria local crescerá nas atividades onde houver vantagens comparativas ou competitividade. Assim, a indústria naval brasileira será compelida a investir e alcançar maiores níveis de produtividade. (pg. 73)
PETRÓLEO E GÁS Petrobras e mercados internos
Os preços praticados pela Petrobras deverão seguir os mercados internacionais, mas as flutuações de curto prazo deverão ser suavizadas com mecanismos de hedge apropriados. Ao mesmo tempo, deveremos promover a competição no setor de óleo e gás, beneficiando os consumidores. Para tanto, a Petrobras deve vender parcela substancial de sua capacidade de refino, varejo, transporte e outras atividades onde tenha poder de mercado. O gás natural exercerá papel fundamental na matriz elétrica e energética nacional, propiciando a qualidade e segurança energética para a expansão de forma combinada com as energia fotovoltaica e eólica. A competição deve ser promovida também no setor de gás, buscando uma ação coordenada entre estados, a quem compete sua regulação por determinação constitucional. Na formulação do preço da energia, inclusive dos combustíveis, há uma forte influência dos tributos estaduais, que precisará ser rediscutido entre todos os entes federativos, com o objetivo de não sobrecarregar o consumidor brasileiro. (pg. 74)
PETRÓLEO E GÁS Fim do monopólio da Petrobras no Gás Natural
O Gás tem ganho destaque na matriz energética brasileira, contribuindo na transição para reduzir as emissões de CO2 e ajudar a integrar outras fontes renováveis intermitentes. Para aumentar a importância do Gás Natural no setor, é importante acabar com o monopólio da Petrobras sobre toda a cadeia de produção do combustível, mediante: • Desverticalização e desestatização do setor de gás natural. • Livre acesso e compartilhamento dos gasodutos de transporte. • Independência de distribuidoras e transportadoras de gás natural, não devendo estar atreladas aos interesses de uma única companhia. • Criação de um mercado atacadista de gás natural. • Incentivo à exploração não convencional, podendo ser praticada por pequenos produtores. (pg. 75)

BOULOS

MINERAÇÃO
Além da privatização e do aumento de participação de empresas estrangeiras em setores estratégicos para o país, a partir da alteração da regra de exploração do Pré-Sal, que permite que outras empresas (nacionais ou estrangeiras) explorem nossos poços de PETRÓLEO, alterações na lei de MINERAÇÃO, e as tentativas de privatização da Eletrobrás e, até mesmo, do Aquífero Guarani, reserva de água doce com mais de 1,2 milhão de km², o golpe serviu também para mudar as relações entre capital e trabalho. (pg. 6)
Nesse sentido, para aprofundar o controle sobre setores estratégicos, vamos reverter as privatizações, retomar o controle nacional da EMBRAER que é um setor de ponta e alta tecnologia. E buscar a nacionalização de setores como água, telecomunicações, e MINERAÇÃO com eficiência, transparência e controle social. (pg. 13)
O desmatamento tem sido o motor da expansão agropecuária no Brasil. Ele funcionou, junto com a escravidão e outras formas de trabalho compulsório, como um pilar da ocupação colonial do território. A agropecuária foi responsável (junto com a MINERAÇÃO) pelo essencial da atividade econômica que levou à destruição de quase toda a Mata Atlântica. Esse padrão predatório se intensificou no século XX, quando a fronteira agrícola e pecuária se expandiu para o Cerrado e a Floresta Amazônica. O desmatamento sempre foi, e continua sendo, segundo o SEEG, a principal fonte de emissão de gases do efeito estufa do país, o que levou a pressões para sua redução. (pg. 132)
Necessitamos retomar a proteção dos nossos rios e aquíferos ameaçados de destruição pelo agronegócio e pela MINERAÇÃO. Água exige uma administração democrática, participativa, com distribuição de responsabilidade e arranjos institucionais complexos. (pg. 134)
A urgente necessidade de revertermos esse quadro não passa pela chamada "economia verde", cujo principal objetivo é gerar novos mercados e lucros, como os da água, do carbono e da biodiversidade. Não é possível adequar os limites da natureza às exigências de exploração crescente de RECURSOS NATURAIS pelo mercado. Entendemos que água, sistemas hídricos, clima, oceanos, biodiversidade, patrimônio genético e o conhecimento devem ser considerados não mercadorias mas bens comuns de todos nós e geridos com cuidado. Isso significa o combate à apropriação privada dos territórios, aos megaprojetos e à MINERAÇÃO predatória que trazem sofrimento e morte. Além do combate à apropriação privada, a noção de bens comuns pressupõe uma gestão que envolva o protagonismo das comunidades locais que promovem seus modos de vida de forma a produzir baixo impacto ambiental e a proteger os bens da natureza, o conhecimento comum e nosso patrimônio genético. (pg. 135)
A perspectiva colocada para a periferia – nessa lógica – é disputar a vinda de indústrias de menor uso de tecnologia e intenso uso da força de trabalho. São plantas mais simples, de bens de consumo leves, como têxteis, material esportivo, papelão, vidro etc., indústrias extrativistas, como PETRÓLEO – sem refino – e MINERAÇÃO ou maquiladoras. Tais investimentos só se concretizam com rebaixamentos constantes do preço do trabalho e precarização dos contratos de mão de obra (este é o sentido da reforma trabalhista sancionada em 2017). Nesse quadro, são dispensáveis pesquisa, inovação, universidades, sindicatos etc. São também desnecessárias articulações regionais e extrarregionais como Mercosul, Unasul e BRICS que funcionem de forma autônoma. (pg. 219)
A geopolítica da economia extrativista expressa bem a atual forma neoliberal de globalização. A intensificação de investimentos para exploração da natureza em países ricos em “RECURSOS NATURAIS” (na realidade bens comuns) através da MINERAÇÃO, agricultura intensiva, pesca em larga escala, extração de madeira, de PETRÓLEO e gás, levaram fluxos de capital para o Sul Global. A diplomacia de matérias-primas de países como os da União Europeia, dos Estados Unidos, do Canadá e da China preocupa-se principalmente em assegurar o fornecimento de RECURSOS NATURAIS a seus mercados internos, salvaguardando sua própria competitividade. (pg. 219)
Destaca-se com particular ênfase, neste contexto, a aceleração da estratégia do governo chinês de tornar a China um país global, apoiando todos os tipos de empresas a investir fora do país, mediante a oferta de apoio financeiro e coordenação e uma postura mais ativa para a diversificação de seus ativos. No Brasil, a mudança qualitativa na entrada do capital chinês se reflete na escala e velocidade, mas também na forma financeirizada deste processo, que torna mais difícil conhecer o destino dos investimentos. Identifica-se, hoje, um especial interesse por hidrelétricas e pelo setor de MINERAÇÃO, com sérios riscos socioambientais em especial na região da Amazônia e do cerrado brasileiro. (pg. 219)

RECURSOS NATURAIS
Por isso quando falarmos de modelo de desenvolvimento e de política econômica, estaremos falando e muito de meio-ambiente, de um balanço dos modelos de crescimento predadores de RECURSOS NATURAIS, florestas e comunidades humanas; estaremos falando também de mundo do trabalho e da seguridade social, da política de geração de empregos para a juventude. (pg. 2)
A urgente necessidade de revertermos esse quadro não passa pela chamada "economia verde", cujo principal objetivo é gerar novos mercados e lucros, como os da água, do carbono e da biodiversidade. Não é possível adequar os limites da natureza às exigências de exploração crescente de RECURSOS NATURAIS pelo mercado. Entendemos que água, sistemas hídricos, clima, oceanos, biodiversidade, patrimônio genético e o conhecimento devem ser considerados não mercadorias mas bens comuns de todos nós e geridos com cuidado. Isso significa o combate à apropriação privada dos territórios, aos megaprojetos e à MINERAÇÃO predatória que trazem sofrimento e morte. Além do combate à apropriação privada, a noção de bens comuns pressupõe uma gestão que envolva o protagonismo das comunidades locais que promovem seus modos de vida de forma a produzir baixo impacto ambiental e a proteger os bens da natureza, o conhecimento comum e nosso patrimônio genético. (pg. 4
O Estado brasileiro é signatário da Convenção 169 da OIT (Decreto 5.051/2004), por isso é dever do Estado respeitar o direito à consulta e consentimento prévio, livre e informado, aos povos e comunidades tradicionais em todas as ações estatais que lhes afetem, garantindo ainda o usufruto exclusivo desses povos e comunidades sobre os RECURSOS NATURAIS presente em seus territórios tradicionais ocupados. (pg. 128)
A Reforma Agrária Popular e Agroecológica é a solução para os graves problemas sociais e ambientais que vivemos: os assentamentos do MST e de outros movimentos populares que lutam pela terra, assim como as comunidades quilombolas e as terras onde se encontram os povos indígenas/originários, pescadores, ribeirinhos, são hoje o melhor exemplo de como devemos tratar a natureza, de como devemos cuidar da terra, da água e dos RECURSOS NATURAIS que temos à nossa disposição em todo o Brasil. A nossa proposta é produzir alimentação saudável, sem veneno, sem agrotóxico e barata para o povo brasileiro, priorizando o mercado interno, para melhorar a qualidade de vida da população que vive no campo e na cidade, e sempre pensando numa agricultura que une produção de alimentos a cuidados com a saúde da população. Isso é agroecologia, um novo modo de vida, uma nova relação entre ser humano e natureza, produzir alimentos ao mesmo tempo em que produzimos o bem-estar de toda a sociedade. (pg. 129)
A geopolítica da economia extrativista expressa bem a atual forma neoliberal de globalização. A intensificação de investimentos para exploração da natureza em países ricos em “RECURSOS NATURAIS” (na realidade bens comuns) através da MINERAÇÃO, agricultura intensiva, pesca em larga escala, extração de madeira, de PETRÓLEO e gás, levaram fluxos de capital para o Sul Global. A diplomacia de matérias-primas de países como os da União Europeia, dos Estados Unidos, do Canadá e da China preocupa-se principalmente em assegurar o fornecimento de RECURSOS NATURAIS a seus mercados internos, salvaguardando sua própria competitividade. (pg. 219)

PETROBRÁS e PETRÓLEO
Desde o fim do ciclo de alta no preço dos produtos que mais exportamos (PETRÓLEO, minérios de ferro e commodities agrícolas), em 2011, a agenda de crescimento substituiu investimentos públicos e gastos sociais feitos diretamente pelo Estado pela concessão de incentivos à lucratividade das grandes corporações. As desonerações fiscais e demais medidas adotadas não só não geraram os efeitos esperados sobre os investimentos privados e as exportações, como ampliaram o caráter concentrador de renda da política econômica e contribuíram para deteriorar as contas públicas. (pg. 5)
Além da privatização e do aumento de participação de empresas estrangeiras em setores estratégicos para o país, a partir da alteração da regra de exploração do Pré-Sal, que permite que outras empresas (nacionais ou estrangeiras) explorem nossos poços de PETRÓLEO, alterações na lei de MINERAÇÃO, e as tentativas de privatização da Eletrobrás e, até mesmo, do Aquífero Guarani, reserva de água doce com mais de 1,2 milhão de km², o golpe serviu também para mudar as relações entre capital e trabalho. A flexibilização do mercado de trabalho brasileiro se deu pela permissão do uso da terceirização em toda e qualquer atividade e da aprovação da reforma trabalhista – que alterou 117 artigos e 200 dispositivos da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) –, podendo ser sentida pela classe trabalhadora a partir do desemprego, das demissões em massa e da ampliação do trabalho informal e precarizado. O Brasil foi chamado à ordem e o governo Temer está integrando o país às normas de reprodução do capital no plano internacional. (pg. 6)
A maior participação pública nas grandes empresas em setores de alta intensidade tecnológica e a atuação das empresas estatais como promotoras do aumento da competitividade sistêmica continuam sendo elementos fundamentais em estratégias exitosas de desenvolvimento econômico no mundo contemporâneo. Por isso, é mais do que necessário, dadas as transformações recentes no capitalismo mundial, fortalecer o conjunto de empresas públicas como forma de garantir uma inserção internacional soberana. Empresas como a PETROBRÁS e a Eletrobrás são, nessa perspectiva, instrumentos de intervenção estratégica do Estado na criação de condições para o desenvolvimento nacional. (pg. 13)
A desastrosa política de preços recente da PETROBRÁS demonstra o alto custo social que pode representar a perda de controle público sobre setores que são estruturantes da economia nacional, como é o caso do setor de combustíveis e de energia. O controle público desses setores representa a garantia de sua articulação em uma política de desenvolvimento, com tarifas baixas e com respeito a legislação ambiental. (pg. 13)
Democratizar a composição das agências reguladoras para eliminar a nefasta influência das empresas reguladas, de modo a eliminar tarifas abusivas e garantir serviços de mais alta qualidade e realização investimentos previstos em contrato nos setores de telecomunicações, água, saúde, energia, aviação, PETRÓLEO e transportes; (pg. 17)
Reduzir dolarização e volatilidade dos preços de combustíveis e gás de cozinha, alterando a atual política de preços da PETROBRÁS; (pg. 20)
Defendemos que parte da destinação de gastos de todo orçamento de investimentos da união será dedicado a um novo sistema nacional de democracia direta. Um sistema nacional de coordenação federativa, com poder de deliberação e de gestão. O sistema nacional de DD seria composto por 1) conselhos locais/setoriais (educação, saúde, cultura, transporte, moradia); 2) conselhos nacionais de política econômica e setores estratégicos (política externa, COPOM, BNDES, BB, CEF, ITAIPU, Eletrobras, Petrobras); e também 3) formas organizativas cidadãs, cooperadas e locais da vida coletiva/comum a partir de uma política de subsídio: refeitórios e cozinhas comunitárias, arquitetura popular, pequenas produções e comércios locais e suas organizações, educação popular e cursinhos comunitários, agroecologia, ocupações culturais, grupos territoriais de fiscalização e denúncia da abordagem e violência policial; grupos de autocuidado de compartilhamento de saberes sobre saúde, corpo, alimentos, plantas medicinais; autonomia reprodutiva, autonomia econômica de mulheres. (pg. 25)
Signatário do Acordo de Paris, de 2015, o Brasil se comprometeu a reduzir suas emissões de GEE e a restaurar 120 mil km2 de suas florestas até 2030. Honrar esse compromisso é decisivo para a sociedade brasileira. 60% da população do país tem menos de 29 anos. Para garantir um futuro digno para todos, é preciso uma mudança decisiva em nosso modelo energético, produtivo e agrário. Isso demanda uma transição para energias renováveis de baixo carbono (como a eólica e a solar), com a proibição fraturamento hidráulico (fracking) do folhelho; uma indústria mais limpa, comprometida com a reciclagem, a engenharia reversa e a redução do uso dos plásticos e outros produtos de grande impacto ambiental; um sistema de transportes, baseado em modais coletivos e sob trilhos, que supere nossa dependência do rodoviarismo, do PETRÓLEO e reverta a cultura do automóvel nas grandes cidades; e uma agricultura de alimentos saudáveis, priorizando vegetais, respeitosa das florestas e voltada para a segurança alimentar do povo brasileiro. (pg. 137)
Sobre a exploração do PETRÓLEO do pré-sal. O primeiro aspecto é reverter toda a legislação de privatização da exploração do PETRÓLEO e da Petrobras e sua entrega ao mercado e a dinâmica especulativa – inclusive com a importação de combustíveis! Isso envolve a anulação dos leilões efetuados e a soberania nacional em todo o ciclo do PETRÓLEO. O segundo é transformá-la de uma empresa de PETRÓLEO em uma como empresa de energia pública e democraticamente gerida e transparente em suas decisões (inclusive as que envolvem o preço do PETRÓLEO), com todo um setor voltado para o desenvolvimento de energias renováveis. O terceiro é iniciar a modernização do setor de transportes brasileiro, estimulando o transporte coletivo, o transporte sobre trilhos (para carga e passageiros) e o carro elétrico, o que irá reduzir a demanda de PETRÓLEO. Portanto a PETROBRÁS será protagonista na garantia da soberania nacional e avanço na transição energética. (pg. 138)
As pautas da economia solidária e do cooperativismo solidário, inseridos no contexto geral da política econômica do país, estão ligadas à necessidade da revogação dos retrocessos dos últimos governos, em especial a Reforma Trabalhista, a Emenda Constitucional 95, a Lei nº 13.365/2016 (que entrega a exploração de reservas nacionais a empresas internacionais de PETRÓLEO), a Lei nº 13.429/2017 (que elimina direitos dos trabalhadores e trabalhadoras por meio dela liberalização da terceirização da mão de obra). (pg. 148)
Articuladas aos poderes dominantes, como temos visto no caso do Facebook nos Estados Unidos, as corporações que controlam as principais tecnologias e plataformas podem servir para favorecer um dos lados dessa disputa, baseadas naquilo que se convencionou chamar de “novo PETRÓLEO da economia”: nossos dados. (pg. 185)
A perspectiva colocada para a periferia – nessa lógica – é disputar a vinda de indústrias de menor uso de tecnologia e intenso uso da força de trabalho. São plantas mais simples, de bens de consumo leves, como têxteis, material esportivo, papelão, vidro etc., indústrias extrativistas, como PETRÓLEO – sem refino – e MINERAÇÃO ou maquiladoras. Tais investimentos só se concretizam com rebaixamentos constantes do preço do trabalho e precarização dos contratos de mão de obra (este é o sentido da reforma trabalhista sancionada em 2017). Nesse quadro, são dispensáveis pesquisa, inovação, universidades, sindicatos etc. São também desnecessárias articulações regionais e extrarregionais como Mercosul, Unasul e BRICS que funcionem de forma autônoma. (pg. 219)
A geopolítica da economia extrativista expressa bem a atual forma neoliberal de globalização. A intensificação de investimentos para exploração da natureza em países ricos em “RECURSOS NATURAIS” (na realidade bens comuns) através da MINERAÇÃO, agricultura intensiva, pesca em larga escala, extração de madeira, de PETRÓLEO e gás, levaram fluxos de capital para o Sul Global. A diplomacia de matérias-primas de países como os da União Europeia, dos Estados Unidos, do Canadá e da China preocupa-se principalmente em assegurar o fornecimento de RECURSOS NATURAIS a seus mercados internos, salvaguardando sua própria competitividade. (pg. 219)
A pouca legitimidade diante da opinião pública internacional e a ausência de resultados relevantes em politica externa não os impediram de atender a demandas de grandes interesses globais. Entregaram parte das reservas do pré-sal, indenizações bilionárias foram pagas pela PETROBRÁS no exterior, houve mais abertura e desnacionalização de setores estratégicos da economia e assumiram compromissos de liberalização do fluxo de capitais internacionais ainda mais abrangentes. (pg. 220)
Uma primeira ameaça a isso são as políticas de entrega e desmonte patrocinadas pelo governo Temer, em especial nas áreas de energia e defesa. Isso se concretiza com a venda de refinarias da PETROBRÁS, da Eletrobrás e da Embraer, em especial. Outros riscos provêm dos novos nacionalismos conservadores, em particular da política externa norte- americana de Donald Trump. Esta tem como centro a defesa agressiva dos interesses dos EUA no mundo, bem como a promoção do ódio e da intolerância racial, da xenofobia e da violência sexual e de gênero. (pg. 223)
Criar um programa estratégico de análise dos investimentos estrangeiros, mapeando a entrada dos investimentos externos e definindo setores de prioridade nacional, inclusive os que não podem ser destinados a venda ou exploração ampla pelo capital estrangeiro, como geração de energia, PETRÓLEO, terras agricultáveis, água e outros; (pg. 225)

ALCKMIN

Não cita a palavra MINERAÇÃO

Não cita a palavra RECURSOS NATURAIS

Não cita a palavra PETROBRÁS ou PETRÓLEO

JOÃO AMOÊDO:

Não cita a palavra MINERAÇÃO

RECURSOS NATURAIS
O resultado de tudo isso é que, apesar de sermos um País rico em RECURSOS NATURAIS, com dimensões continentais e grande mercado consumidor, temos 13 milhões de desempregados e mais de 20% de brasileiros dependem do Bolsa Família.

Não cita a palavra PETROBRÁS ou PETRÓLEO

MARINA SILVA:

Não cita a palavra MINERAÇÃO

RECURSOS NATURAIS
Reafirmamos, assim, nossa convicção de que sociedade brasileira está pronta para construir um país socialmente justo, ambientalmente sustentável, economicamente próspero, politicamente democrático, culturalmente diverso e, acima de tudo, ético. Que assuma o papel de líder global, principalmente no que diz respeito à qualidade de vida de sua população, ao uso inteligente dos RECURSOS NATURAIS e à promoção da paz, num século em que o mundo passa por transformações profundas e enfrenta desafios inéditos. (Pg. 2)
Promoveremos a demarcação de terras indígena e o reconhecimento e titulação de terras quilombolas, retomaremos os processos de criação de Unidades de Conservação de Uso Sustentável – especialmente Reservas Extrativistas e Reservas de Desenvolvimento Sustentável, e implantaremos um sistema de compensação financeira para as comunidades tradicionais que promoverem a preservação dos RECURSOS NATURAIS e da biodiversidade. (Pg. 2)
O turismo desempenha hoje um importante papel na geração de empregos na economia mundial. De acordo com o relatório de 2017 do Fórum Econômico Mundial, o setor de viagens e turismo foi responsável por 1 em cada 10 empregos no mundo. O mesmo relatório mostrou ainda que o Brasil se encontra no 27º lugar no Ranking de Competitividade em Viagem e Turismo, que avaliou 136 países. De um lado, contamos com os maiores e mais diversificados RECURSOS NATURAIS do planeta, com elevados recursos culturais e um alto fluxo viagens de negócios. De outro, a falta de segurança, o ambiente de negócios e a baixa qualificação da mão de obra continuam impondo um obstáculo ao crescimento do setor. (Pg. 16)
Ampliaremos investimentos em projetos de infraestrutura que tenham impacto positivo para o turismo e para a conservação dos RECURSOS NATURAIS e paisagens cênicas, com prioridade para o ecoturismo e o turismo de base comunitária como alternativas para o desenvolvimento sustentável. Essas iniciativas farão parte de um programa integrado de turismo sustentável, inclusão social, respeito à diversidade cultural e desenvolvimento econômico com cadeias produtivas locais e solidárias. (Pg. 16)
Para enfrentar os problemas acima descritos e apoiar o desenvolvimento do setor, vamos implementar um conjunto de iniciativas que incluem: estabelecer modelos de contratação estimulem o investimento privado em infraestrutura, garantindo estabilidade de regras e segurança jurídica; promover iniciativas que levem a uma maior integração e ao livre comercio de produtos agropecuários, através de uma agenda ativa de negociações internacionais: criar instrumentos que valorizem a produção e a comercialização de produtos agropecuários de forma sustentável e promover a valoração econômica da preservação de RECURSOS NATURAIS como florestas naturais, a água, e a biodiversidade nas propriedades rurais; fortalecer os mecanismos de controle sanitário, com integração crescente entre os órgãos de fiscalização e monitoramento e as empresas envolvidas com o processamento agroindustrial; e, criar condições para a ampliação do seguro rural, como instrumento de proteção da renda do produtor e mitigação dos riscos climáticos. (Pg 18)

PETROBRÁS e PETRÓLEO
A privatização não será tratada com posições dogmáticas. O Brasil possui 168 estatais que merecem ser analisadas, a partir dos critérios de custo para a sociedade, eficiência do serviço público, questões estratégicas para o Estado e a não fragilização de setores desfavorecidos. Não privatizaremos a PETROBRÁS, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. A privatização da Eletrobrás será analisada no contexto da política energética nacional, que deverá modernizar suas estratégias a fim de incorporar as energias renováveis, mas suas distribuidoras certamente deverão passar para a iniciativa privada. (pg. 15)
Os desafios e oportunidades impostos pelas mudanças climáticas, a busca por lucratividade -- em função da queda dos preços do PETRÓLEO -- e a crescente pressão da sociedade civil, instituições e governos têm levado as grandes empresas petroleiras mundiais a redirecionarem seus esforços e recursos para investimentos em energias renováveis. Nesse sentido, em nosso governo, a Petrobras deverá assumir um papel de liderança nos investimentos em energias limpas, se beneficiando do enorme potencial brasileiro. (pg. 17)

Fontes:


Lula & Haddad:
Ciro Gomes
Cabo Daciolo
Bolsonaro
Boulos
Alckmin
João Amoêdo:
Marina Silva:
IBGE:



quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Uma tragédia para o Brasil

Está sobrando dinheiro no Brasil, essa é a certeza que temos ao vermos o perdão de dívidas bilionárias concedido pelo congresso nacional e pela presidência da república. Esse pensamento de orçamento farto, também fica claro quando vemos R$ 1,716 bilhão destinado para um fundo eleitoral, o tal Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), que vai custear as eleições de 2018.
     Mas essa não é a realidade da ciência e tecnologia Brasileira. Após ter o orçamento contingenciado no ano de 2017, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), tem agora na Lei Orçamentária de 2018 (LOA 2018) – sancionada no início de janeiro pelo presidente Michel Temer – um orçamento geral previsto de R$12,7 bilhões, 19% a menos que o valor sancionado na LOA 2017. É isso mesmo, o que já era pouco ficou ainda menor.
          Mas onde é usado o dinheiro da ciência e tecnologia? Os programas de mestrado e doutorado, os grupos de pesquisa nas universidades, os institutos de pesquisa, todos necessitam de recursos para desenvolver suas atividades. Nas últimas décadas o Brasil tem avançado cientificamente em várias áreas, a agricultura brasileira é um exemplo disso. Então, quando falamos em cortar orçamento de pesquisa, estamos também reduzindo a capacidade do Brasil em competir com outros locais do mundo, onde o ciência e tecnologia são levadas a sério.
       Para se ter uma noção da gravidade do fato, a redução do orçamento gerou uma mobilização internacional. Em uma carta assinada por 23 ganhadores do prêmio Nobel, os cientistas afirmaram que o corte danificará o Brasil por muitos anos, com o desmantelamento de grupos de pesquisa internacionalmente reconhecidos e uma fuga de cérebros que afetará, em especial, os melhores jovens cientistas. Mas o que isso influência na sua vida?
        O custo da ciência e tecnologia está embutido em tudo, remédios, eletrônicos, construção civil e até na comida. Se o Brasil não produz ciência, ele paga para importar técnicas, patentes e produtos. Ou pior, não consegue se quer desenvolver algumas áreas, visto que em alguns casos, as técnicas para serem desenvolvidas com maior efetividade precisam considerar uma série de aspectos regionais.
 A falta de investimento em ciência e tecnologia possui outro efeito negativo fortíssimo, conforme relatado na carta assinada pelos ganhadores de prêmios Nobel, devido à falta de apoio, ocorre a fuga dos pesquisadores para outros locais no mundo onde é possível fazer ciência e onde o pesquisador é valorizado. É triste, mas temos dinheiro sobrando para algumas coisas no Brasil e faltando para outras áreas tão vitais para o desenvolvimento de nossa nação.

            Um dos fatos que mais me preocupa, é que esse tema mal foi debatido na grande imprensa, e tão pouco repercutiu nas mídias sociais.  Uma verdadeira tragédia para o Brasil e para os Brasileiros, que está sepultada no silencio de nossa nação.  

Um corte que muito afeta a Amazônia Legal

Para início de conversa, não estarei aqui neste artigo abordando sobre o desmatamento, o corte – que digo – é outro, mas também afeta o futuro da nossa região diretamente. Este artigo fala um pouco sobre os efeitos da redução do orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) nas universidade e centros de pesquisas situados na Amazônia Legal.
          Entende-se por Amazônia Legal o território composto por 9 estados sendo eles: Acre, Amapá, Pará, Amazonas, Rondônia, Roraima, Mato Grosso, Tocantins e Maranhão, que juntos representam 59% do território Brasileiro. Nestes estados há ocorrência da vegetação amazônica, mas para além da vegetação os estados possuem também problemas econômicos, políticos e sociais similares em vários aspectos.
A dificuldade enfrentada na região da Amazônia Legal vai muito além da falta de logística para exportar a produção da região. Os centros de pesquisas também possuem seus problemas entre eles, a dificuldade de conseguir se tornar atrativo para pesquisadores renomados, devido à escassez de recursos das agências de fomento e falta de estrutura para desenvolvimento de pesquisa. Mesmo com essas dificuldades, nas últimas décadas ocorreu um crescimento surpreendente do número de programas de pós-graduação com cursos de mestrado e doutorado. Estou falando dos programas de pós-graduação, pois neles que boa parte da pesquisa brasileira é desenvolvida e apresentada através de teses e dissertações.
Contudo, mesmo com esse crescimento, os programas de pós-graduação, em geral, ainda estão com uma estrutura muito menor que a existente em universidades no Sul e Sudeste e parte do Nordeste. Esses números ficam claros quando analisamos o relatório Research in Brazil divulgado recentemente pela Clarivate Analytics. O documento trouxe a público o resultado do desempenho em desenvolvimento de pesquisa das principais universidades Brasileiras no período entre 2011 e 2016, e adivinha só, entre as 20 melhores não está nenhuma universidade situada na Amazônia Legal. Na classificação por Estado, todos os 9 estados da região estão situados entre as 14 piores posições, sendo as 6 últimas compostas só por estados da Amazônia Legal.

          A pesquisa faz parte do tripé da universidade, e possui relação direta com ensino e com a extensão universitária. Ou seja, a pesquisa possibilita formar profissionais melhores e mais qualificados e auxilia a buscar soluções para os problemas que a população vive no dia-a-dia. O Corte no orçamento do MCTIC certamente reduz ainda mais os já escassos recursos existentes nas instituições de pesquisa, e o efeito dessa medida do governo será sentido com maior intensidade nos estados da Amazônia Legal. Precisamos defender nossas instituições de pesquisa, pois um país com ciência e educação precária, com certeza está fadado a um destino trágico. 

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Julgamento não é paredão do BBB

Nos últimos anos as operações de combate a corrupção tem sido um assunto sempre presente na mídia brasileira e nas redes sociais. Considero as operações algo muito positivo para o país, pois devido a elas, poderemos ter mudanças profundas na forma de se fazer política no Brasil. Mas uma coisa é certa, os julgamentos não devem ser feitos com base em clamor popular, todo e qualquer caso deve ser analisado a partir das provas e indícios, e a análise deve ser feita de forma séria, garantindo o amplo direito a defesa a cada indivíduo.  
            Precisamos passar o país a limpo e resgatar nossas instituições. Sei que é difícil acreditarmos algumas vezes no judiciário, no executivo ou no legislativo, todos os poderes passam por crise de credibilidade, mas é impossível termos uma país que funcione sem essas instituições que são a base do estado moderno.
         No próximo dia 24/01 ocorrerá o julgamento do ex-presidente Lula, e diversos grupos estão organizando manifestações pedindo que o presidente seja inocentado ou condenado. A justiça é composta por várias instâncias, e em teoria, o conjunto delas garantem um julgamento correto. Não enxergo com bons olhos movimentos políticos tentando influenciar a decisão de um julgamento. Ou tão pouco alguns que chegam ao cumulo de, por exemplo, pedir o fim da ficha limpa, ou a condenação sumaria.
           Se você acredita na inocência do Lula, e se ele for de fato inocente, isso será provado nesta ou na próxima instância, lembre-se que boa parte do Supremo foi indicada pelo ex-presidente, e caso você duvide retidão do supremo, parte da culpa será dele mesmo. Por outro lado, se você acredita que o julgamento feito pelo Moro em Curitiba foi correto e está baseado em provas, então também deve acreditar que a decisão será mantida. 
As manifestações contra ou a favor, trazem a sensação de que nosso país vive um direito relativo, ou seja, em casos similares a condenação valeria para um e não para outro. A afirmação dessa ideia através dos movimentos políticos com certeza é um risco para a construção democrática do Brasil, sejam esses movimentos de esquerda ou direita. A justiça não pode ser igual paredão do BBB, onde cada um vota e define o destino de um cidadão com base no seu pensamento pessoal, a justiça deve ser igual para todos e com os mesmos critérios.

            Defendo a democracia e o estado de direito, e quero acreditar que o judiciário irá fazer o seu papel de forma correta, e se por acaso algum erro for cometido, a história tratará de demonstrar futuramente quem estava certo ou errado. 

Faça engenharia de minas

                O mês de Janeiro marca para muitos estudantes o final de um ciclo e o início de uma nova etapa. É chegada hora de tentar garantir uma vaga no sistema de seleção unificada (SISU/ENEM), porém, muitos estudantes ainda estão em dúvidas sobre qual profissão escolher. Com o intuito de auxiliar nesta escolha este artigo irá apresentar um pouco sobre o Curso de Engenharia de Minas. 
                O ser humano começou a extrair rochas da natureza no início de sua evolução. O domínio sobre os bens minerais marcam tanto a história da humanidade que chegam a dar nomes para alguns dos períodos de nossa evolução social, por exemplo, a idade da pedra lascada, a idade da pedra polida, a idade do bronze e a idade do ferro. A mineração hoje está em tudo e o engenheiro de minas é o profissional que estuda a melhor forma de retirar um minério e disponibilizá-lo para sociedade.
                Ao se deparar com a necessidade de optar por uma profissão, é natural que os estudantes indaguem a possibilidade da área escolhida existir ou não em um futuro próximo.  Pois bem, a mineração e o engenheiro de minas com certeza continuarão a existir nos próximos séculos. Os aparelhos tecnológicos, as casas, os caros, ou mesmo as plantações necessitam de minerais e rochas para serem produzidos, desta forma, sempre existirá uma demanda por insumos básicos extraídos da mineração.
                Um segundo questionamento dos vestibulandos trata-se do mercado de trabalho e das perspectivas profissionais. Como já dito anteriormente, o engenheiro de minas geralmente trabalhará em empresas de mineração. O salário inicial da profissão está em 8,5 ou 6 salários mínimos para respectivamente 8 ou 6 horas diárias. Vale ressaltar que nos bons momentos da mineração onde a demanda por minérios é muito alta, as remunerações tendem a aumentar.
                Mas o que o acadêmico de engenharia de minas estuda? Como qualquer outra engenharia, nos primeiros semestres são lecionadas disciplinas relacionadas às áreas de física, química e matemática. Nos semestres posteriores, as disciplinas são voltadas para o entendimento de conceitos de geologia e para formação específica na área de engenharia de minas.
                O setor mineral contribui em geral com ao menos 4% do Produto Interno Bruto (PIB) e com cerca de 20% das exportações, ou seja, a mineração desempenha um importante papel na economia do Brasil. Os municípios de Nobres, Cáceres, Tangará da Serra, Cuiabá, Alta Floresta, Peixoto de Azevedo, Poconé, Pontes e Lacerda, Nova Lacerda, Nova Xavantina, são alguns dos locais no Estado de Mato Grosso onde se desenvolvem atividade de mineração tendo com principais produtos calcário ou/e ouro. Importantes empreendimentos de mineração estão sendo implementados em outros locais no estado, destacando-se entre eles o projeto de mineração da Votorantim Metais em Aripuanã. Ou seja, como engenheiro de minas, você tanto pode trabalhar em Mato Grosso ou em outros lugares do Brasil e do mundo como, por exemplo, o Canada e Austrália.

                Se você gostou do que leu e quer saber mais informações sobre o curso de engenharia de minas, basta entrar no site da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) para acessar mais informações. Se você acha que algum amigo ou amiga tem perfil para o curso de engenharia de minas, repasse esse artigo para eles. A mineração existe hoje e existirá amanhã, e você pode ser um (a) futuro (a) engenheiro (a) de minas. Venha para Engenharia de minas da UFMT, campus Várzea Grande. 

O PSDB, o PT, o PMDB e a geração dos anos 90

          O Brasil passa atualmente por uma inversão da pirâmide etária, essa mudança é proporcionada devido a redução da taxa de natalidade e significa o começo de um processo de envelhecimento da população. A geração que marca o início dessa inversão é chamada de geração do bônus demográfico, e esse bônus traz com ele desafios e oportunidades incríveis para o país.
          A geração do bônus demográfico no Brasil é a minha geração (nasceu nos anos 90). Fomos a maior geração de crianças, somos a maior geração de jovens, e seremos também a maior geração de idosos do Brasil. Durante o período que essa geração estiver em idade produtiva ativa, o país terá uma força de trabalho incrível, agora isso pode ser um ponto muito positivo ou um grande problema social.
        A geração do bônus demográfico precisava ter tido acesso a uma educação de qualidade e universal, mas não tivemos. Infelizmente no nosso país ainda existe analfabetismo infantil e muitos jovens nem se quer chegaram a terminar o ensino médio. Também não temos acesso a credito a baixo custo, já que por aqui as taxas de juros são altíssimas, fato que dificulta o empreendedorismo e outras coisas fundamentais como acesso a moradia própria.
Com o termino do ano de 2017 todas as crianças da década de 90 estão agora com idade entre 18 e 27 anos, ou seja, estamos todos chegando ou já estamos no mercado de trabalho. Além do cenário de crise econômica, um outro desafio do Brasil é o chamado desemprego estrutural que é quando se tem uma vaga de emprego, mas não se tem a pessoa qualificada para o posto, essa situação afeta tanto o empreendedor que não consegue contratar, como o cidadão que não consegue emprego por ainda não possuir a qualificação adequada, e por fim, afeta o estado que precisa dar resposta ao problema social gerado em partes por ele mesmo.
         Para mudar esse quadro é preciso investir em educação e em qualificação profissional, é preciso também possibilitar acesso ao credito de baixo custo para o cidadão comum, precisamos fortalecer as políticas de estado de controle de natalidade, e é lógico, nossa juventude precisa ter cada vez mais voz.

     A situação atual dos jovens do Brasil é resultado de governos que pouco fizeram para proporcionar as condições de desenvolvimento necessário para a geração do bônus demográfico e para o país. Poderíamos ter feito como outros países que investiram fortemente na educação e na qualificação dos jovens e com isso tiveram resultados fantásticos. O cenário atual demonstra que a educação não foi prioridade para nenhum governo nas últimas décadas, existiram os que investiram um pouco mais e outros um pouco menos, houveram avanços, mas nenhum dos governos que passaram fizeram a verdadeira transformação na educação que este país precisa. Perdemos muitas oportunidades, mas quantas mais nosso país irá jogar fora? 

A cidade de um ponto, o fim da linha!

       Nos últimos dias tenho visto na imprensa e nas redes sociais a grande obra do prefeito Emanuel Pinheiro, o magnífico ponto de ônibus que promete revolucionar o transporte público de Cuiabá. É muito bacana ver uma obra supermoderna, mas como será que estão os pontos de ônibus na periferia de Cuiabá? Será que existem abrigo coberto em todas as paradas? Faço essa pergunta pois certamente a obra realizada pela prefeitura teve um custo milionário, e com esse recurso com certeza a prefeitura poderia ter melhorado a condição de dezenas ou centenas de outras paradas de ônibus.
        Desde meu tempo de estudante acompanho e debato este tema, acredito que o transporte público deveria ser uma das prioridades de qualquer governo que pense na qualidade vida de seus cidadãos. Um transporte público de qualidade e a baixo custo possibilita que o cidadão chegue ao trabalho rápido, que consiga usar o tempo que ficaria no ônibus com outras atividades, o transporte também é fundamental para que se tenha acesso aos espaços culturais e de lazer.
       No mundo as cidades que priorizaram o transporte público conseguem reduzir o número de carros nas ruas, evitando gastos com obras de expansão de vias urbanas, reduzindo a emissão de gás carbônico e evitando congestionamentos e acidentes.
         Acredito que a prefeitura poderia fazer mudanças significativas no transporte público, como por exemplo, exigir a renovação da frota e que os novos ônibus tenham ar-condicionado. Poderia também copiar o modelo existente em São Paulo, onde o cidadão pode optar por pagar um valor mensal para poder usar o transporte público à-vontade. O modelo do bilhete único mensal funciona em muitas cidades do mundo, por que não implementar aqui também?

        Ao ver a construção do ponto de ônibus em frente a prefeitura fiquei com a impressão que o prefeito só consegue ver o que está embaixo do seu nariz. Mas seria muito importante que a prefeitura enxergasse o cidadão que hoje fica em muitos locais da cidade no sol ou na chuva a espera de um ônibus sem ao menos ter uma cobertura para se abrigar. 

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Os empregos que não geramos

Gerar emprego é a melhor forma desenvolver um país, ampliar a qualidade de vida e proporcionar distribuição de renda. Este artigo apresenta um título provocativo, “o emprego que não geramos”, ou seja, o desenvolvimento social e econômico que o Brasil não proporciona para sua gente.
Nosso país é um grande exportador de produtos primários seja do setor agrário, seja no setor mineral, também somos um país importador de produtos industrializados. Por exemplo, somos um grande exportador de minério de ferro. Segundo o Informe Mineral de Junho de 2016 do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), no Brasil, a extração mineral é responsável por um efeito multiplicador direto de 3,61 postos de trabalho para cada emprego gerado. No momento que exportamos ferro, será que também não estamos gerando lá no exterior os empregos que poderíamos gerar aqui no Brasil caso tivéssemos as condições necessárias? Será que não poderíamos, por exemplo, ampliar a exportação aço laminado e ligas metálicas gerando assim mais empregos aqui no nosso país?
Em alguns casos como no setor de petróleo, temos uma realidade ainda mais triste em relação a política de industrialização. Uma reportagem da Folha de São Paulo, publicada em 19/06/2017, destaca que “As importações subiram para 41,4% com relação ao mesmo período do ano anterior, para 79,138 milhões de barris, o maior valor pelo menos desde 2000, quando os dados começaram a ser compilados pela ANP. Com isso, a despesa com importação de combustíveis cresceu 79,7%, para US$ 4,357 bilhões”. O curioso é que em uma data muito próxima o Governo Federal publicou no site do planalto uma reportagem com o título “Exportação de petróleo bate recorde no primeiro trimestre” onde destacava o “Volume de 17,57 milhões de metros cúbicos foi 56% maior que o alcançado no mesmo período do ano anterior”. Sim, exportamos o petróleo e importamos derivados como a gasolina e o diesel, esse (além da elevada carga tributária) é um dos motivos para que os custos dos nossos combustíveis sejam tão alto. Isso faz sentido para você? Será que não poderíamos produzir esses derivados aqui no Brasil, gerando empregos e ainda auxiliando na melhora do saldo da balança comercial brasileira? Quantos empregos geramos em outros países e que poderiam ser gerados aqui? Se por um lado temos milhões de desempregados no Brasil, outros milhões de pessoas em empregos informais, ainda assim nossos governantes parecem não fazer nenhum esforço para mudar realidades como a exposta acima.

O Brasil precisa urgentemente de um projeto claro de nação, é preciso que sejam feitas as reformas necessárias, criando condições para resolver gargalos como o existente no setor do Petróleo. A descoberta do Pré-sal foi uma grande conquista para toda a população do nosso país, mas além de produzir mais petróleo, temos também que produzir aqui seus derivados. Esse é apenas um exemplo das inúmeras oportunidades que temos. Está na hora, de nós brasileiros, arregaçamos as mangas e fazermos do Brasil o país do presente, para assim termos um futuro melhor. 

O Brasil voltou a ser colônia

No fim da década de 80, a indústria respondia por 46% do PIB, de lá para cá a participação do setor na economia Brasileira ficou cada vez menor. Em 2000, correspondia a 26,7% e em 2016 chegou a 21,2%. Se analisarmos em separado a participação da indústria de transformação, observamos que esse setor correspondia 21,6% do PIB em 1985, caindo para 15,3% em 2000 e 11,7% em 2016. 
Enquanto a participação da indústria teve uma trajetória decadente, a agropecuária, por exemplo, se manteve relativamente estável nas últimas décadas. Em 2000, representava 5,5% do PIB, o mesmo valor alcançado em 2016. A agropecuária oscilou entre 4,8% (em 2010) e 7,2% (em 2003), sendo respectivamente o pior e melhor resultado entre 2000 e 2016.
Ao analisarmos a balança comercial Brasileira, verificamos que se não fosse à exportação de produtos primários, seja do setor agrário, seja do setor mineral, a balança fecharia déficit, isso por que importamos produtos industrializados e exportamos produtos primários. Essa crescente desindustrialização deve ser analisada com cuidado, no remodelamento das políticas econômicas do país. As políticas econômicas Brasileiras estão moldadas para fortalecer a indústria ou estamos moldando nosso país para ser um fornecedor de matéria prima?

Independente do tamanho do Estado, ele tem um custo e esse custo é distribuído entre cidadãos e empresas que nele estão. Desonerações como a proporcionada pela lei Kandir isenta do tributo ICMS os produtos e serviços destinados à exportação, o Art. 3º desta lei destaca que o imposto não incide sobre “II - operações e prestações que destinem ao exterior mercadorias, inclusive produtos primários e produtos industrializados semi-elaborados, ou serviços”. Como dizem meus amigos liberais, não existe almoço grátis. E, se alguém não está pagando um tributo outro setor está ficando com a conta. Neste cenário surgem algumas dúvidas. Qual o projeto de país estamos construindo no Brasil hoje? Queremos ser a fazenda do mundo? Seremos um grande exportador de produtos primários e um grande importador de tecnologias? Será que não poderíamos agregar valor aos nossos produtos antes de exportar? 

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Trabalho infantil e evasão escolar

É fato que quem possui mais instrução, ou seja, que atingiu um grau maior de formação possuirá acesso a salários maiores. Também é fato que o trabalho infantil em geral está associado à situação financeira precária da família da criança. O trabalho infantil e a evasão escolar são dois temas relacionados, pois criam um circulo vicioso nada virtuoso que impede o desenvolvimento humano e social.
Bom, sei que devem ter leitores que possuem aquele pensamento “criança tem mesmo é que trabalhar, melhor isso que criar vagabundo”. Pois bem, enquanto temos crianças fora da escola e trabalhando, temos outras em uma boa escola e aprendendo quatro idiomas, com laboratórios de primeiro mundo e com acesso a ciência e tecnologia. Qual destas crianças terá um futuro melhor?
Conforme demonstra os dados da PNAD 2012, na data de referencia, 6,2% das crianças na faixa etária de 10 a 13 anos estavam ocupadas. Ao analisar os dados do CENSO 2010, vemos que na faixa de 10 a 13 anos das crianças que frequentam a escola 5,74% trabalham, do total de crianças na mesma faixa etária fora da escola 19,56% trabalham. A relação entre trabalho infantil e evasão escolar é clara, da mesma forma que existe a relação entre escolaridade e média salarial. Se quisermos um país com mais igualdade e qualidade de vida, precisamos discutir a transição escola-trabalho.
De acordo com a lei nº 8.069, Artigo 60: “É proibido qualquer trabalho a menor de quatorze anos de idade, salvo na condição de aprendiz.” Ao contrario do que muitos desinformados por ai dizem, é possível sim trabalhar após os 14 anos, mas não em qualquer serviço ou em qualquer condição. A mesma lei considera aprendizagem a formação técnico-profissional ministrada segundo as diretrizes e bases da legislação de educação em vigor, e essa formação deve seguintes princípios: I - garantia de acesso e frequência obrigatória ao ensino regular; II - atividade compatível com o desenvolvimento do adolescente; III - horário especial para o exercício das atividades.
Citei a possibilidade do menor aprendiz, mas acredito que a transição escola trabalho deve ocorrer um pouco mais tarde e de forma gradativa. Sonho em ver um país com cidadãos qualificados e com condição de desenvolver as mais diversas profissões com segurança e com bons salários. Se quisermos ter um país desenvolvido precisamos que nossos jovens tenham as condições necessárias para desenvolver ao máximo as suas potencialidades e isso só é alcançado através da educação.

É preciso combater de forma séria o trabalho infantil e a evasão escolar, atacando as causas destes problemas. Precisamos fazer com que as nossas crianças tenham uma formação adequada, garantir isso, é uma forma de possibilitarmos um futuro melhor para cada uma delas e para suas famílias. A educação é o único caminho capaz de emancipar o individuo. 

Mineração não é medida provisória

No dia de 26 de julho, foram publicadas no Diário Oficial da União as medidas provisórias 789, 790 e 791, que altera parte da legislação minerária. Entre as modificações, está a extinção do Departamento Nacional de Produção Mineral e a criação da Agência Nacional de Mineração, a ampliação de valores da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais, entre outras modificações.
O Marco legal da mineração estava em discussão no Congresso nacional desde 2011, quando foi proposto o projeto de lei Projeto de Lei nº 37 de mesmo ano. Mais tarde, o Poder Executivo encaminhou ao Congresso Nacional, em junho de 2013, o PL 5.807/13, uma nova proposta de marco regulatório na mineração. Este projeto teve 372 emendas apresentadas, e o relator, o Deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG), produziu três relatórios, na forma de substitutivos, ao longo do trâmite. Desde o ano passado o texto estava para ser votado na Câmara dos Deputados, mas sequer chegou a ser apreciado no plenário.
Para quem não sabe, a edição de medidas provisórias (MP’s) é um mecanismo existente no Brasil no qual o presidente cria provisoriamente uma lei. O período de validade de uma MP é de 60 dias prorrogáveis por mais 60, e, se neste período as MPs não forem votadas pelo congresso, elas perdem a validade e volta a valer a legislação antiga. Porem, se aprovadas, as MPs podem possuir textos e aspectos muito diferentes das propostas originais, além disso, a edição de leis por MPs claramente é um mecanismo pouco democrático e que não permite o devido debate sobre o tema.
Quantas destas MPs serão aprovadas e qual será o texto final? Essa pergunta é difícil de ser respondida visto que somadas, as MPs receberam quase 500 emendas. Ou seja, temos um marco legal da mineração que vale por apenas 120 dias. E qual o maior problema disso?
Você pode não gostar da mineração, mas tudo na nossa vida é feito com bens minerais. Desde o computador que você usa, a sua casa, o prato de comida e a comida que está no prato tem algo da mineração. As rochas e a mineração permitem que tenhamos qualidade de vida. Quando o homem desceu da árvore, a primeira tecnologia que ele desenvolveu foi à pedra lascada, que nada mais é do que utilizar uma rocha como ferramenta. Assim, uma das primeiras atividades do ser humano foi a de minerar.
Um empreendimento de mineração custa muito caro, não tem grandes linhas de financiamento, como o agronegócio, e pode levar de 6 a 10 anos para se iniciar as atividades. Para implementar um empreendimento mineral, são necessários inúmeros estudos geológicos e ambientais. Agora, como qualquer outro investidor, o empreendedor mineral busca, acima de tudo, segurança jurídica.  A mudança do marco legal da mineração, através de medidas provisórias, demonstra uma fragilidade legal do setor, pois se foi feito desta forma agora, um governo próximo pode novamente mudar a legislação do setor por MPs.
Quais os efeitos imediatos dessa mudança? Conforme publicado no Correio Braziliense: “Entre as medidas, deve alterar regras de licença ambientais e de fiscalização e ampliar o limite de participação do capital estrangeiro, que hoje é de 49%, até 100% na indústria de mineração”. Ainda na mesma matéria, o jornal traz em outra passagem o seguinte conteúdo: “Para garantir uma receita extra de R$ 1,5 bilhão, o governo pretende mudar alíquotas de royalties de exploração de minerais, que podem variar de 2% a 4%, e aumentar a arrecadação federal”. Já, segundo o G1, “Temer muda royalties da mineração e prevê arrecadar 80% mais; agência substituirá DNPM”. Veja só! As mudanças por MP tiveram como um dos principais aspectos ampliar a arrecadação, mas a que custo?

Deixo claro aqui que não estou julgando o texto em si, que trás também algumas mudanças positivas, esse artigo é uma critica ao fato de se modificar uma lei tão importante por um mecanismo inapropriado e pouco democrático. Não faz sentido publicar um MP quando há um texto para ser votado no Congresso e que trata do mesmo tema. A mineração deve ser tratada de forma séria, além de representar historicamente uma participação direta de cerca de 4% do PIB. A atividade mineral é fundamental para que tenhamos nossas casas, ruas, carros, computadores e todas as outras coisas que usamos no nosso dia-a-dia. A mineração não é medida provisória. 

terça-feira, 25 de julho de 2017

O Brasil precisa virar a página

Uma coisa é certa na realidade brasileira: precisamos virar a página, iniciar um novo capítulo na história do país. Faço parte da geração dos anos 1990, uma geração que traz consigo uma pesada carga de responsabilidade e um gigantesco desafio. Pois, a geração dos anos 90 foi a maior geração de crianças e de adolescentes do país, logo estamos nos tornando a maior geração de adultos e, então, seremos a maior geração de idosos.
A geração da década de noventa marca a inversão da pirâmide populacional do Brasil, e essa mudança etária representa também uma série de mudanças no contexto econômico e social ao longo das décadas. Por exemplo, imagine-se agora em 2050 em um país de idosos, quais deveriam ser as prioridades do governo e da onde sairiam os recursos?
Hoje, somos um país agrário e que depende necessariamente das commodities minerais e agrícolas, a indústria brasileira possui uma participação muito pequena na econômica e o nosso investimento em ciência e tecnologia e pífio. Em 2050, será que teremos como continuar sendo um país com esse perfil econômico? Certamente não. Precisamos buscar alternativas para o Brasil, para além das commodities.
Já vimos que os desafios pela frente são muitos. Mas, onde erramos? Não existe país que se desenvolva sem educação e investimento em ciência e tecnologia. Em cada produto que compramos pagamos também o custo cientifico embutido nele, seja pela técnica aplicada ou pelas patentes embutidas. E o problema é que o Brasil está lá atrás na fila tecnológica.
Além dos recursos para pesquisa, para se fazer ciência e tecnologia, precisamos de educação. Na década de 90 e nos anos 2000, nosso sistema educacional avançou a passos de tartaruga. Se olharmos os indicadores internacionais de educação, vamos ver que hoje continuamos mal posicionados e que essa realidade não mudou muito nas últimas décadas. Sim, os governos que aqui passaram não fizeram o que era necessário e, graças à falta de ação dos governos, hoje temos a maior geração de jovens que o Brasil já viu e que irá ver, com uma formação deficitária. A falta de formação por si só cria o chamado desemprego estrutural, que é quando existe emprego, mas quem está desempregado não possui formação adequada para o posto. Para piorar ainda mais, vivenciamos uma crise econômica e, é lógico, o jovem é um dos que mais sofre na crise por não possuir experiência.

O que fica claro com tudo isso, é que existem diferenças muito grandes entre os discursos políticos que vemos das principais lideranças e presidenciáveis do Brasil e a realidade de nossa nação. A pirotecnia ainda continua sendo o ponto forte no debate político, enquanto realidades, como a exposta acima, ou não é tratada ou é tratada com desdenho. Precisamos virar essa página, precisamos discutir a realidade do Brasil e construir um projeto de nação com educação, ciência, tecnologia, desenvolvimento econômico e social. Temos 30 anos para tentar mudar a realidade do Brasil, caso contrário, teremos um futuro ainda mais trágico que o presente.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Poema sem nome

Rosas florescem
Mas em algum tempo cada pétala se despedaça
Dias amanhecem
E o brilho do dia me laça
Na noite, os sentimentos passados adormecem
Braço que não mais me abraça
No andar da vida corações se estremecem
Quase como uma caça
Meu olho, o teu procura!
Conte-me teus segredos e tudo que se passa
A Rosa se revigora com orvalho da noite mais escura
O coração com o tempo sempre se cura



sexta-feira, 5 de maio de 2017

Laços

Não disfarço, nem desfaço meus nós e laços
Pra que fugir de um abraço?
Meu olhar busca um desvio
Mas não há outro caminho
Sigo como um rio
E todos sentimentos e sentidos contidos podem explodir se você acender o pavio
A escolha é tua
Eu, você e a lua...
No mundo até a terra parar de girar
Eu, você e lua, perdidos nos espaço olhando as estrelas dançar


O estado, o erro da ação policial e a indenização!

Na última semana, diversas reportagens foram publicadas em veículos de comunicação com o título "Justiça condena Estado a pagar R$ 10 mil a suplente de deputado". O fato citado pela imprensa trata-se do julgamento referente à manifestação ocorrida em março de 2013 e o indenizado sou eu.
Relembrando os fatos, realizávamos uma manifestação na luta contra o fechamento de vagas nas Casas de Estudantes Universitários (CEU’s). Essas residências cumprem um importante papel de garantir moradia para estudantes de baixa renda que estão cursando a universidade. Em outros lugares no mundo, a política de moradia estudantil é extremamente consolidada, a exemplo do que acontece em diversos países da Europa. Mas, no Brasil, ainda temos muito que avançar. E, naquela época, considerando o cenário de ampliação da universidade, era inadmissível a redução de vagas nas residências.
Com certeza, terá aquela pessoa que dirá: “Mas para que fazer manifestação, atrapalhar a vida dos outros, tirar o direito de ir e vir?”. Na ocasião, já tínhamos esgotado as tentativas (todas frustradas) de diálogo com a administração superior da UFMT. Cabia sim uma manifestação. E o direito de ir e vir? Precisamos lembrar que sempre que uma via é fechada, existem em geral outras vias alternativas. Desta forma, o direito de ir e vir não é ferido de fato. Se pensarmos que a interdição de uma via é ilegal, não poderia, por exemplo, ocorrer uma corrida de rua ou uma festa popular em via pública.
A manifestação se findou após uma ação truculenta da Polícia Militar. Vários colegas foram agredidos de diversas formas durante a ação policial. Lembro-me como se fosse hoje (e para quem quiser ver há registro em vídeo no YouTube) da fala de um dos policiais que nos agrediu naquele dia, que disse em auto e bom som: "Vai procurar o direito de vocês na justiça!". O erro da ação policial foi assumido por diversas autoridades na época, entre elas o comandante geral da Policia Militar e o próprio governador.
Entre as instituições do Estado - uma delas é a polícia - assim como muitas outras, são formadas por pessoas que podem cometer erros e devem ser responsabilizadas por isso, assim como o bom policial (que cumpre a lei e não que acredita ser a lei) deve ser elogiado. No caso em específico, é triste dizer, mas até onde tenho conhecimento, “tudo acabou em pizza”, como muita coisa no nosso país.
Entrei sim com ação contra o Estado, fiz isso principalmente para comprovar juridicamente que a ação policial estava errada. Ali, manifestando, não estavam como alguns diziam, “um bando de estudantes baderneiros”, mas sim, bons estudantes que sabiam o valor da política de moradia estudantil nas suas vidas e na vida dos que um dia ainda precisariam de tal apoio. Hoje, muitos destes estudantes são excelentes profissionais. Alguns funcionários de grandes empresas, outros funcionários públicos e outros abriram seu próprio negócio.
Tenho certeza, que a política de moradia estudantil contribuiu para que todos se tornassem pessoas que hoje contribuem de inúmeras formas para a sociedade.
Atualmente, sou professor da UFMT, apesar de também ser "o oitavo suplente de deputado federal de uma das coligações" fato que é irrelevante na minha vida, já que nunca exerci a função de deputado e provavelmente não exercerei nessa legislatura. Um suplente e um cidadão comum são a mesma coisa. E para quem não sabe, suplente não recebe nada, ou seja, não tenho nenhum poder político a mais do que você, que hoje lê esse artigo.
Me indigno tanto, como muitos outros brasileiros, ao ver a triste realidade da política nacional. Saí como candidato, em 2014, porque acreditava que podia mudar algo. Mas lutar contra as doações do dinheiro “honesto” das grandes empresas que financiam os deputados não é fácil, afinal, no processo eleitoral, alguns tem milhões, outros nada tem.
O que vimos nas matérias publicadas foi que o fato de eu ser professor ou de o juiz ter reconhecido o erro da ação policial não sensibilizou a imprensa, que em geral optou pelo sensacionalismo do titulo “Justiça condena Estado a pagar R$ 10 mil a suplente de deputado”, mesmo considerando que, na época, eu era estudante de mestrado (ou seja, não era suplente de nada), representante estudantil no Conselho de Moradia da UFMT e presidente da Associação de Pós-Graduandos.
Hoje, escrevo este artigo para dizer duas coisas. A primeira delas é que sim, a polícia estava errada e se você não concorda com o Estado ter pagado uma indenização, deveria primeiro, pensar em cobrar qual a atitude que o Estado tomou em relação aos policiais que, inadvertidamente, usaram de força excessiva para conter uma manifestação pacífica. Segundo, não julgue de forma generalista as manifestações, estas são necessárias para garantir muitos dos nossos direitos, os quais são constantemente negligenciados pelos executores do poder público.

A justiça já provou, através dessa decisão, que a atuação do Estado foi errônea. Agora, e você leitor? Em que você acredita? No Estado que não cumpre o que deve para garantir os seus direitos ou no cidadão que, conforme a “dica” do policial, buscou a garantia dos próprios direitos na justiça?